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13 outubro, 2011

Rodrigo faz seis anos


Hoje o Rodrigo completa seis anos. Seis anos fora da minha barriga, como explico a ele, todas as vezes em que ele me pergunta que história é esta de aniversário. Especialmente esse ano, em que a vertigem das mudanças do próximo faz com que ele volta e meia questione essa comemoração, como a bater o pé bem forte: não quer ter seis anos, não quer ficar maior, não quer deixar de ser criança... Rodrigo, aos seis anos, não quer mais saber de ficar grande. Aquela ansiedade que ele tinha de crescer deu lugar ao esforço de reter o sabor desses tempos gostosos, de experiências, de fantasias, de jabuticaba e amora no pé. Ninguém disse para ele que as coisas vão mudar radicalmente, mas ele intui. Ele percebe que já não é mais tratado como criança pequena e que junto com as conquistas e liberdades vêm também as cobranças.

A gente passa a vida oscilando entre se sentir pequeno e se sentir grande. Às vezes as coisas são tão difíceis que falta ar, a gente ganha a perspectiva da nossa insignificância no fluxo das coisas. Tem outras vezes que tudo é tão pleno que a gente fica enorme, gigante mesmo. E nada disso tem a ver com aniversário: me espanto como o Rodrigo já percebeu isso. Quando aprendeu a ler, em julho, tenho certeza que ultrapassou em muito os seus 1,20m: dois, três metros de altura na aprendizagem de pensar de outra maneira. Mas agora, frente à possibilidade de mudar de escola, de passar para o primeiro ano, de sentir saudade dos professores e amigos que fez ao longo de sua vida, se sente pequeninho. Recusa o espelho distorcido: não quer ouvir que é grande enquanto se sente impotente para fazer o tempo parar.

E aí me ensina, nesse partejo vitalício em que a gente se reinventa mãe e filho, que para caminhar ao lado dele é necessária essa atenção que não teme o encantamento de aumentar e encolher mesmo sem a ajuda de biscoitos ou cogumelos mágicos: o orgulho e a admiração nos momentos de gigante, o colo nos momentos de mosquinha, as mãos dadas em todo o resto tempo.

O Rodrigo tem toda razão. ainda que 13 de outubro marque o dia em que ele decidiu que estava na hora de ver o que tinha aqui fora, é só um dia no tempo do calendário. Importante mesmo é o momento-quando a gente se sente crescer, quando a falta de ar da consciência do nossos limites encontra distração no peito inflado de alegria e orgulho por termos ultrapassado a nós mesmos. Fique tranquilo, filho: quando você voltar a sentir que cabe justo na sua própria pele, a gente bate outro bolo, enrola outros brigadeiros.

Imagem: Ziraldo (O menino maluquinho)

08 outubro, 2010

Manteiga

Este semestre, as quintas-feiras têm sido de muita correria, já que dou aula à tarde e à noite. Mais do que isso, tem sido também de muita saudade do Rodrigo, pois o levo na oficina de brincadeira de manhã e é o Edu quem pega, leva para almoçar, leva na escola... E quando chego em casa, às 11h, o menino já está bem longe, nos braços de Morpheus.

No começo, quando comecei a dar aulas à noite, ele ainda conseguia adotar umas estratégias de acordar quando eu chegasse - dormia às 7h, sem jantar e por volta das 11h levantava, para um lanchinho e um carinho. Mas depois foi se acostumando e aí a gente só se via mesmo no outro dia de manhã.

Ontem, mal tinha chegado em casa, de repente vejo um menino muito saltitante e sorridente passeando pela casa. Todo feliz! Tão querido! Me deu um beijo, conversou um pouco e depois voltou a dormir.

Hoje de manhã, conversando com ele, comentei: "filho! você ontem acordou de noite". E ele, muito docemente, me dando um beijo na testa, "foi pra ver você, mamãe".

O coração cresce-cresce dentro do peito, chega a perder a borda de tanta ternura. Feito calda quente que se esparramasse macia, cavando novos caminhos por onde inventa escorrer. Meu coração de mãe, às vésperas dos cinco anos do Rodrigo, agora é assim: inteiro estriado de sustos e surpresas, sulcado das enchentes súbitas de tantas doçuras inesperadas.

09 maio, 2010

domingo à noite

Na hora do lanche, comendo frutas e o delicioso pão com uvas passas que Edu e Rodrigo fizeram de manhã (e não ficou pronto à tempo de levarmos ao piquenique), conversando muitas conversas com meu menino tagarela. Até que ele me diz:
- Vou te contar uma piada. Toc-toc.
- Quem é?
- A lagarta! E começa a rir muito...
Aí ele me dá uma tarefa:
- Mãe, agora conta três piadas.
Eu começo a pensar e ele esperando...
- Vai, mãe! Procura aí nas suas ideias!
Obediente, tô procurando, filho, tô procurando...

28 março, 2010

Dia bom, dia ruim

 
Vai daí que hoje tirei o dia pra descansar e ficar com o Rô (parece óbvio que seja isso que se faz num domingo, mas não neste domingo - e explico o porquê no final da semana que começa...). Acordamos cedo, tomamos café, começamos a brincar e a jogar vários jogos, depois fomos passear a pé, tomar sorvete, comprar coisas de jardinagem, e voltamos a brincar... Tudo ia bem. Rodrigo feliz e saltitante e eu também (feliz, não saltitante ;-).

Até que resolvemos comer guioza, porque o almoço ia demorar muito a sair. Edu preparou, e nós sentamos pra comer. Rodrigo contente, conversante, cheio de apetite. Quando ele estava no terceiro guioza, sei lá como, de repente vejo ele fazer cataploft na minha frente! O menino se desequilibrou da cadeira e se espatifou no chão. Fui socorrê-lo, vi que alguma coisa estava sangrando e - com a habilidade ninja das mães que vêem a cria se machucar - mais que depressa peguei o menino pra descobrir onde era o machucado, preocupada porque ele só mostrava dor no quadril.

Finalmente, acabei descobrindo que o sangue todo vinha do queixo: um corte, de uns dois dedos de comprimento. Chamei o Edu e ele conseguiu acalmar a gente (porque eu , confesso, já estava super preocupada achando que ia ter que levar pro hospital pra dar ponto e, mais preocupada ainda, porque achava que o Rô não ia deixar).

O menino ficou meio em estado de choque por umas duas horas, só respondendo sim ou não pra gente. Limpamos o corte e eu fiz pontos de esparadrapo (mais uma habilidade que ser ex-escoteira me deu!). Como o queixo é um lugar difícil de deixar quieto, ainda ficaram saindo umas gotinhas intermitentes de sangue, mas da terceira vez que troquei o curativo, agora à noite, já estava muito melhor e, com o Rô mais calmo, consegui fazer pontos mais firmes, de modo que não sangrou mais. Ele já está voltando ao normal dele, bagunceiro e cheio de experimentos, fazendo cinema de sombras na parede do meu quarto.

Mas me deu muita pena ouvir o serzinho pequenininho comentando, no finalzinho da tarde "É, mãe, hoje não foi um bom dia"... Dá um sentimento de injustiça mesmo, ser apanhado assim no meio da alegria e da brincadeira. É como se as coisas nos traíssem. Por mais que o machucado tenha doído, senti que não foi essa a razão dele ter ficado tão assustado e magoado: seu susto e sua mágoa me parecem ter sido fruto, sobretudo, dessa dificuldade de compreender como um dia normal, gostoso, de repente possa ter mudado de caráter.

A gente em geral fica leve quando os dias ruins de repente se iluminam. Mas um dia bom faz a gente se sentir protegido, como se nada pudesse dar errado. Por isso, quando algo dá errado no meio de um dia bom, é um susto imenso. Abre ferida na nossa esperança. E haja esparadrapo pra fazê-la sarar.

Imagem: daqui.

20 março, 2010

Pequenos Milagres


A despeito de todas as minhas aflições, Rodrigo parece estar aprendendo a ler. Aos quatro anos e meio! Já tive a fase de me desesperar e tentar frear o processo, mas obviamente que não deu certo.

A escola em que ele está, em princípio, não ensina as crianças da idade dele a ler. O que não significa que a escola não tenha sua parcela de responsabilidade nessa precocidade, por meio de materiais e práticas que estimularam ainda mais a curiosidade de crianças que, via de regra, vivem em ambientes que já as estimulam à leitura e à escrita.

No ano passado já percebíamos que ele e o grupo dele estavam curtindo muito a coisa toda de reconhecer o próprio nome, tentar reconhecer o dos amigos, contar o número de letras... Mas este ano, a coisa vem vindo em saltos muito mais velozes: o nome dele ele já escreve - e também o da irmã (Bia) e o de uma amiguinha (Ana). Reconhece quase todas as letras, escreve várias delas (é claro que ainda com alguns espelhamentos, em especial nos S ou N). Eu, sem jamais perder a esperança, achando que era apenas uma aquisição motora, de desenhar as letras.

Mas esta semana percebi que não. Começou que na quarta-feira, estávamos no banheiro e comentei com ele sobre o baby wipes. Na hora, ele me perguntou: "começa com b, não é mamãe?". Respondi que sim, e perguntei com ele sabia; ele disse que tinha visto na embalagem, mas olhei e não tinha B nenhum lá... No mesmo dia, falávamos de alguma coisa e eu mencionei uma "casa" qualquer, ao que ele me perguntou se "casa" começava com K. Ou seja: o ser já fez a correspondência entre letra e som.

E piora (rs...)! A Bia o ensinou a brincar com o teclado, num documento em branco do word. Ela o ensinou a fazer bonequinhos, encher a página de símbolos ou letras, brincar, enfim. Mas logo o mocinho se deu conta de que as letras do teclado escreviam coisas e passou a escrever o próprio nome (e é muito engraçado, porque se não estiver em CAPS LOCK, ele não reconhece o que escreveu em minúsculas). Aí, quinta de manhã, ele estava nessa brincadeira quando resolveu escrever o nome do Uriá - também amiguinho da escola. E, na fala, o Rodrigo ainda troca "r" e "l". Eu achava que ele escrevia o nome dos amigos de memória visual, mas nesse dia percebi que não: ele escreveu o U, e foi escandindo o nome em voz alta. Escreveu ULA, e ainda reclamou que faltava o acento!

Finalmente, hoje, às 6h30 da manhã (o cara dormiu às 19h e acordou às 5h30...), Rodrigo assistia Pocoyo. Aí começou a falar que o nome do Pocoyo tinha mudado, que agora era Pê-coyo (!). E comentou, também escandindo as sílabas: tem três letras.

É claro que desse nível em que ele está até ler de fato vai um longo caminho, mas eu fico besta de perceber como é rápido. Tem sua dimensão de milagre, também, essas aquisições que modificam profundamente a forma de estar no mundo. E é por isso que me dá uma certa aflição, porque gostaria que ele curtisse mais essa fase de criança pequenina, mergulhada no brincar, e no experimentar fisicamente as coisas. Ele adora desenhar, pintar, colar, construir, correr, e tenho medo de que a leitura - mesmo sendo um ganho cognitivo - implique no abandono dessas outras dimensões. Mas por outro lado, também talvez seja apenas uma questão de cuidado, de busca de equilíbrio, de continuar garantindo a ele momentos de bagunças variadas. E a verdade é que ninguém o forçou a nada, essa aquisição não está atropelando o ritmo dele mesmo, que é o que mais tentamos preservar.

E pensando nisso, no meu entressono das 6h30 da manhã, me lembrei das minhas Revistas Alegria, que vinham com histórias de muitos escritores bacanérrimos, e também atividades gostosas (o primeiro "prato" que fiz na vida veio dessa revista - tomate recheado com salada de arroz!). Eu curtia muito essa revista, acho que até pouco tempo tinha uns exemplares na minha mãe... Mas me lembrei dela porque, em algum número, tinha a história de um menino que aprendia a ler e, no momento em que ele se dava conta disso, ele exclamava, emocionado "mãe, aprendi a ver!".

Acho que o desafio, diante dessa possível aquisição do Rô, será a de contrariar essa história da revista Alegria - será provocá-lo a continuar vendo da maneira como já vê, ver para além da leitura e da escrita, ver tocando, ver ouvindo, ver sentindo... O desafio será o de ensinar a ele que ler/escrever é só mais uma forma de estar no mundo, mas não a única e nem a principal.

Imagem: http://victaoml.wordpress.com/2009/09/05/gramatica/

25 janeiro, 2010

Pequeno Príncipe

Como o tema que o grupo do Rô trabalhou no semestre passado foi Príncipes e Princesas, eu fiquei super entusiasmada ao seguir um link do De(couer)ação e ir parar nesse site. O castelo propriamente dito vai ficar para uma outra ocasião - e uma camiseta verde do Rodrigo que fez um furinho vai ser perfeita para o teste :-). Mas a coroa de feltro eu me animei a fazer, embora confesse que não sei como ela fez para a parte que encaixa na cabeça parecer um corte só.

Adaptei então a ideia e o resultado foi um principezinho muito lindo e charmoso, de pijamas, e com o mesmo problema do princípe insone de Hora de Dormir :-) Aliás, foram necessárias váááárias histórias ontem à noite, até o menino se render ao sono.

Vejam que coisa mais querida:




Eita bagunça boa!

25 dezembro, 2009

Buarqueanas

Rodrigo, antes de dormir, no dia em que voltamos para casa e descobrimos que a Thelma e Louise (nossos gerbis) tinham morrido:

- Mas, mãe, por que elas morreram?
- Não sei, filho. Pode ser porque elas estavam velhinhas, pode ser por qualquer coisa, a gente não sabe...
- Mas mãe, a vovó falou que foi de calor.
- Pode ser, filho.
- Mas mãe, não falou no jornal que os hamsters tinham morrido de calor...

Pois é filho, você tem toda razão: a dor da gente não sai no jornal...

15 setembro, 2009

Artes

No final de semana, fizemos um "foguete" guardador de giz de lousa. Na verdade, é uma casinha, mas Rodrigo viu que era pontudo e cismou que era foguete, então...foguete ficou sendo :-)


Ao contrário dos outros, esse dá uma trabalheira danada!


Era muito detalhezinho pra costurar... E ainda era do livro em que os moldes não vêm na escala certa; e como era domingo, não tinha jeito de ir copiar a 200%, de modo que foi no olhômetro mesmo...


Mas acabou dando tudo certo...

24 agosto, 2009

Coração quentinho

O Rodrigo não anda a fim de sair de casa. Simples e definitivo assim: não importa qual seja a proposta, o ser prefere ficar dentro de casa, brincando ou mesmo assistindo filmes (agora ele entrou na onda de "Princípes e Princesas", do Michel Ocelot, que é lindo e divertido mesmo). Não quer ir ao parque, não quer ir a aniversários.

Eu e o Edu já estávamos ficando preocupados. Ainda que achemos que é só uma fase, sabe como é: já estávamos cogitando problemas - em casa, na escola, sei lá - , tecendo hipóteses, imaginando soluções... Mas ontem, conseguimos convencê-lo a ir à festa de um amiguinho de quem ele gosta bastante.

Chegamos lá, mas os amigos da escola mesmo não tinham chegado. Ele então ficou tomando chocolate quente (a festa era às 10h da manhã, então era um café-da-manhã, delicioso) e se ambientando. Disse não a todas as nossas tentativas de fazê-lo experimentar os brinquedos, fez birra para a mãe do amiguinho, mas pelo menos não deu chilique nenhum, só ficou observando...

Os amiguinhos dele começaram a chegar, e, num passe de mágica, de repente ele estava brincando, pulando, correndo. De vez em quando checando para ver se não sumíamos, mas ainda assim se divertindo muito com as brincadeiras propostas pelos monitores.

[A festa foi em um buffet muito bacana, que trabalha numa linha antroposófica, então não tem nada de brinquedos barulhentos, quilos de açucar, crianças alucinadas etc. Tinha sucos naturais, espaço amplo, contação de histórias e brinquedos em sua maioria de madeira, para estimular a imaginação. Muito, muito bacana. Ao invés da exaustão de um tempo que foi vorazmente consumido, a gente sai com a sensação de paz, gratidão e encontro].

Em uma certa altura, vejo o Rodrigo passar e se aproximar de um dos amigos da escola. Aí, ele estendeu a mão e perguntou: "E., vamos brincar lá fora?". Mais que depressa, E. ignorou os apelos da mãe dele, que queria que ele parasse para comer alguma coisa, deu a mão para o Rô e lá foram os dois, explorar o quintal. Tão doce, vê-los correndo de mãos dadas! Tão queridos, em sua aprendizagem de companheirismo e amizade...

Vão vendo que o único problema que o Rodrigo aparentemente tinha era um bastante comum: preguiça :-)

13 julho, 2009

Decifrando o universo do trabalho

Eu aqui, atrasada porque não consegui terminar um relatório no final de semana. Rodrigo me rondando, me mostrando seus monstrinhos-porquinhos de massinha.

Aí, começam as perguntas:
- Mãe: isso é outra tese?
- Não, filho. A tese já acabou.
- Isso é um artigo?
- Não filho. O artigo também já acabou. Isso é um relatório.
- Relatório?

E hoje de manhã, eu conversando no telefone com Mauricio, e o Rô veio ouvir a conversa. Até que eu digo pro Mauricio que estou enrolada:
- tô enrolada, porque tenho...
(aí o Rodrigo se intromete):
- ...uma re-ô-nião.

Que será que esse menino vai achar que significa trabalhar, hein?

(e me lembrei da filha da Mércia, que quando era pequena, respondeu pruns amigos que perguntaram o que ela ia ser quando crescesse: "vou ser reunião!". Igual a mamãe...).

12 julho, 2009

(Eram) Três coisas

- Uma dica cultural.
A convite da querida Cássia, mãe do E. (amiguinho do Rô, da escola), fomos assistir hoje o espetáculo Brincadeiras, do grupo Acrobático Fratelli. Eles são muito bons, e o espetáculo é bonito, colorido, divertido e com música ao vivo! O Rodrigo adorou, principalmente as palhaçadas estilo pastelão :-) Além desse, eles estão em cartaz também com outro espetáculo: Sintonia. O E., que na noite anterior tinha visto este, estava impressionadíssimo e contou vários trechos pra gente; este é todo aéreo, e pelas fotos, parece mesmo muito bonito.
Eles vão ficar em cartaz nos próximos dois finais de semana (até 26/6). O Brincadeiras é somente aos domingos, às 16h e o Sintonia, aos sábados (21h) e domingos (20h). No Teatro do Colégio Santa Cruz, que fica na rua Orobó, 277.

- Uma dica gastronômica.
No início das férias, finalmente arrumei tempo para fazer o primeiro pedido à Manjar - Cozinha Integral. Conforme meus planos de começo de ano, estou riscando as carnes do meu cardápio. Mas ainda fico meio insegura, porque sei que tenho um estoque limitado de receitas e habilidade no uso de temperos (por isso mesmo, também comprei um livrinho de Cozinha Indiana, só com pratos vegetarianos; tem uns que dá uma vontade de sair logo fazendo...). Então, desde que vi os pratos oferecidos pela Manjar, tinha ficado com vontade de experimentar. Como era férias, arrisquei pedir vários pratos de uma só vez e posso dizer, agora que já comemos mais da metade, que valeu muito a pena! O primeiro prato que provamos foi o creme de abóbora japonesa com alecrim (de-lí-cia!) e são todos bons, leves e saborosos. Acho que depois de acabarem as férias, vou continuar pedindo, para as emergências dos dias em que não consigo cozinhar; pelo menos assim a gente come de forma saudável e gostosa. Uma das nutricionistas da Manjar é a Fernanda, que inclusive é a autora da receita daquele strogonoff que o Rô adora, que eu tinha visto na Revista dos Vegetarianos e tinha dado a dica no post sobre Economia Doméstica.
E o que acho mais gostoso no cardápio que elas oferecem é que são pratos que privilegiam os sabores delicados ao invés de carregar na mão só porque não tem carne. Vou tentar explicar: tem alguns restaurantes vegetarianos que acabam carregando em frituras, queijos e molhos. Mas os pratos delas não: são super leves, cheios de verduras e legumes. Nem conto a delícia que estavam as almôndegas de legumes e aveia que comi ontem...
Ah! Depois venho colocar aqui a receita de uma torta que fiz a semana passada; modéstia à parte, ficou boa e saudável e é fácil, porque é de liquidificador. A massa fica meio verde, porque mistura salsinha e cebola, e eu fiz com uma parte de farinha integral... Mas depois venho contar direito.
E também vou dividir com vocês a super simples e fácil receita do creme de cenoura com gengibre, ótima para dias frios em que a gente está sem paciência de cozinhar ;-)

- Hmmm... Qual era a terceira mesmo? Me perdi total no papo da comida... Bom. Se me lembrar, volto. (Vergooooonhas, que essa minha memória me anda fazendo passar. Tô completamente disfásica - sabem? Quando a gente esquece a palavra, embatuca e fica "ahhhn...é... ahn...". Tenebroso...).

Ah; mas já que esqueci, vou contar do diálogo que tivemos no caminho pro teatro. Rodrigo reclamando do sol:
- Mãe. O sol tá bem na minha cara. Eu não gosto.
- Ai, Rô, é chato mesmo, mas já-já a gente vira e o sol sai da sua cara.
- Tudo bem, mãe. Eu tô com a mão na "tomba".
- Ahn? Mão na tromba? Do elefante?
- Não, mãe. Na "tom-ba".
- O carro quase tromba?
- Não mãe. Aqui no escuro do sol... a "tomba".
- Ah!!!! A sombra, claro, meu filho...
:-)

09 julho, 2009

03 julho, 2009

Ternura

Gravei para pôr lá, mas quem disse que minha corujice resiste a dividir a vozinha doce e tagarela do meu pequeno contador de história, que quase perde o fôlego a cada estrofe, já que a voz não acompanha o ritmo da memória - e de tão "influída" pela cadência da poesia, acabei fazendo rima ;-)

Coisa doce da vida!



* A história que ele está contando é "Agora é minha vez", de Zeca Sampaio, ilustrado por Elen Pestili (da Brinquebook).

29 junho, 2009

Filho de férias...

... mãe trabalhando em plena madrugada.

Fazer o quê?

(tá tão delícia, o serzinho acordando todo dia e abrindo o maior sorriso do mundo quando escuta que não terá que ir pra escola :-) E ele me fez prometer que poderá convidar DOIS amigos de uma vez para virem em casa durante as férias. Já viram, né? Quando acabar as férias dele, eu é que vou estar precisando de férias!).

23 junho, 2009

Então já é Agosto?

Esse peso, essa dificuldade de respirar, essa indecência de azul no céu sem nuvens? Esse desejo de ficar em silêncio, essa urgência de me comunicar, essas lembranças a um só tempo boas e doloridas? Essa estranheza por debaixo da pele, esse pressentimento de que a vida pode ser outra coisa?

Oficialmente: é agosto por dentro.

***

Mas aí, pra distrair Agosto, a gente leva o filho pra cortar o cabelo, caminha com ele de mãos dadas pelas ruas, enche o coração de tanto olhar a pessoinha querida crescendo, senta no balcão da padaria pra dividir com ele um chocolate quente e de uma só vez, ganha dois presentes: um beijo na mão, roubado pelo filho, e um olhar raso de lágrimas da moça que está ao lado, observando que "carinho assim, é coisa de criança amada". E nem Agosto resiste diante de tanta doçura...

28 abril, 2009

Desabafo

Rodrigo ontem à noite, me abraçando e me explicando a razão de tanta brabeza (foi pós-chilique; dele, entenda-se):
- Mamãe! Eu não gosto quando você faz tese!
Dessa vez, pensa que meu coração ficou manteiga? Lembrei as lições da minha amiga Monika e tasquei:
- Eu não gosto que para terminar a tese eu tenha que ficar tanto tempo trabalhando e ultimamente não consiga brincar sossegada com você nem no final de semana. Mas eu gosto de fazer tese. E eu ia ficar muito infeliz e chata se não fizesse. Então, meu filho, você vai ter que ter paciência e me ajudar.
Já que a culpa não estava nos levando a lugar algum, quem sabe um pouco de risca-de-giz-no-chão não ajuda, né?

22 abril, 2009

Para encantar a vida

Recebi a dica da minha querida amiga Paula: dia 9 de maio, às 16h, a Livraria da Vila, vai acontecer o pré-lançamento do CD Teco-Treco, com canções de Luiz Ribeiro, cantado por Tatiana Parra e Gisella. No site dá para ouvir algumas das músicas e eu adorei! Muito suave e delicado, trilha perfeita para dividir momentos gostosos com o filhote! Ou para ouvir sozinho mesmo, para se sentir num mundo mágico e protegido, onde a vida e a boniteza jorram em fontes (tô bobona, ultimamente, que vocês nem sabem...), e a gente nem tem motivo pra ter medo (não deixem de escutar "Assombração").

Outro CD que é assim é "O vôo do Pterodáctilo". Todas as vezes que pergunto pro Rô o que ele quer ouvir, ele fala que é o Pterodáctilo ("o do pitelodátilo", na verdade...). Ele adora todas as músicas, e a gente dança muito ao som de "o peão entrou na roda"! A Adriana Partimpim vem na sequência dos prediletos, assim como Pé com Pé e Canções do Brasil (que eu a-do-ro!). E não posso esquecer dos Cantos de Trabalho, que o Rô ama e eu também - e como não gostar de canções com versos tão poéticos quanto "se eu soubesse que tu vinhas/ fazia o dia maior/ dava um nó na fita verde/ prendia o raio do sol" (cantiga das destaladeiras de Arapiraca)?

Ah, filho, que por você me faço mais espaçosa e procuro suavidades, só para tentar te ensinar o lado bom da vida...Porque todas as canções ficam ainda mais bonitas quando cantadas por você, enquanto você está distraído, entretendo os olhos e as mãos na brincadeira, tão mergulhado no presente que a boca canta pelo prazer da própria voz.

11 abril, 2009

Sem comentários

Ontem, Edu e Rô vieram para a casa da minha mãe, já que eu tinha - como sempre - que trabalhar. Então, hoje vim encontrá-los.

Estava eu na cozinha, preparando o jantar, quando acabou o jogo de futebol. Vovô Padilha, então, levantou-se e foi indo na direção do computador.

Atrás dele, Rodrigo no triciclo, observando a cena. Até que me relata:
- Ô mamãe: o vovô também tá fazendo tese!

09 abril, 2009

Mil coisas

- Rodrigo está tão grande! Ultimamente, várias vezes esqueço de colocar fralda nele à noite, e ele acorda sequinho...Tão lindo! Está cada vez mais independente e cada vez mais menino - pirando total no mundo dos carrinhos, lutas, heróis. Tem uma imaginação de deixar a gente bobo com o tanto de história que inventa. E canta tanto, músicas conhecidas e inventadas!

- E eles estão estudando os Orixás e os Quatro Elementos na escola, então ele está super atento para coisas da terra, fogo, água e ar. Aí, outro dia, estávamos na Livraria Cultura e o Rô adora colocar os fones de ouvido para ouvir qualquer CD. Então, resolvi colocar a Rita Ribeiro, que eu adoro, para ouvirmos uns pedacinhos de um CD que eu não conhecia - TecnoMacumba. Foi só a música começar para o Rodrigo olhar pra mim e exclamar "- Essa música é de Orixá!". E era mesmo. Resultado: acabei levando o CD, que está até agora na escola.

- E a professora do Rô me contou que, quando colocou para as crianças ouvirem, elas gostaram. Mas a A.M. (aquela pessoa querida, que não queria saber de bolo de lobo fofo) comentou que a música era um pouco doida...(e ela tem toda razão).

- E como o Rô mistura todas as histórias e tempos, hoje de manhã estávamos ouvindo o Wisnik e ele comentou "Mãe, eu gosto dessa música. Lá na minha escola tem. Mas a A. (a professora) não põe porque a A.M. não gosta..."

- Queria escrever mais, contar da tipóia linda que comprei com a Cris (que é um doce-mais-doce-que-doce-de-batata-doce); contar do fim-do-mundo que foi o atendimento que tive no Submarino (nem vou lincar); falar de como tenho sentido vontade de reler Drummond (e de como ela aumentou depois de ouvir Anoitecer, cantada pelo Wisnik); de como tem sido bom roubar tempo nessa loucura para pequenos encontros - essa semana vi o Maurício Ayer, a Cris, a Carlinha, o Itaquê, o Demétrio e, cereja do meu Sundae, ontem almocei com o Mauricio...Isso sem contar nas semanas anteriores, que se alargaram imensamente devido aos almoços com a Monika...

- Apesar da correria, apesar da pressão, apesar do medo, apesar dos pesares: umas pequenas epifanias, uma sensação de gratidão de ter passado pelo abismo dos últimos anos e ter chegado aqui desse lado, mais inteira, mais humana. Bem sabiam o Itamar Assumpção e a Alice Ruiz - "a cada milágrimas, sai um milagre"...



É Páscoa. É tempo de milagres, não é?

16 dezembro, 2008

Mãe Integral

Com o Rô de férias, ando de mãe em tempo integral (e inclua aí também fazer comidinhas, e cuidar da casa, que a gente não tem ajudante faz tempo!).

Toda iludida a meu próprio respeito, planejei revisar minha dissertação de mestrado - que ano que vem vira livro! - durante as noites. Ontem, primeiro dia sozinhos, eu e Rô, Rô e eu, fomos ao shopping resolver uns últimos presentes e assistir Madagascar 2. Resultado: às 7h40, ele apagou e eu, às 10h30, desabei nos braços de Morpheus...Daqueles sonos ferrados que fazia tempo não curtia, já que ultimamente, acordava pelo menos três vezes para continuar diálogos comigo mesma a respeito da tese...

Hoje também, tive que ir à Polícia Federal no Shopping Light e o levei junto. Pior que fomos bem no horário dele dormir, ele não dormiu e ficou cansado (= andou no colo) e mau-humorado (o Maurice, que almocou com a gente, tá de prova). Fiquei cansadona. Mas sabe que no fundo curti carregá-lo no sling, no meio do centro de São Paulo? Chegamos em casa, ele tomou banho, me ajudou a fazer o bolo de aniversário do Edu, e depois deitamos. Dormi uns dez minutos e ele está lá, curtindo um soninho.

Cansa. Mas também tem um lado bom, que é não chegar perto do computador sem culpa, pelo menos até o Natal. Tô curtindo fazer umas comidas diferentes, uns lanches bacanas. E não canso de ficar impressionada em ver como ele cresce rápido. Fala-fala-fala (segundo a minha mãe, que escutou a conversa dele no telefone hoje de manhã por dez minutos e já ficou tonta: "você era igualzinha, minha filha; de vez em quando, eu queria que você tivesse um botão de liga/desliga"). Vocês vejam: castigo anda a cavalo...

Vou acabar escrevendo menos por aqui, mas é por uma boa razão. E de vez em quando fujo, para contar as artes do pequeno (ou aqui ou n'O Livro de Histórias do Rodrigo), como a de hoje de manhã. Acordei, e como ele ainda estava dormindo, fui tomar banho. Saí do banho e percebi que ele tinha acordado, pois a porta do quarto dele estava aberta. Chamei:
-Rodriiigo!
Ao que ele, descoladíssimo, respondeu:
- E aí?
O melhor foi descobrir que, recém saído da cama, já estava aprontando: lambuzou a perna inteira de arnica (eu tinha esquecido a pomada no sofá ontem á noite, depois dele acordar chorando que a perna estava machucada...).