Se te pareço noturna e imperfeita/ Olha-me de novo. Porque esta noite/ Olhei-me a mim, como se tu me/ olhasses. E era como se a água Desejasse/ Escapar de sua casa que é o rio / E deslizando apenas, nem tocar a margem. Te olhei. E há tanto tempo/ Entendo que sou terra. (Hilda Hilst)
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19 novembro, 2015
para embalar esses tempos
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06 novembro, 2015
22 outubro, 2015
bem acompanhada
13 setembro, 2015
do presente
1) Casa, de Warsan Shire
Tradução: Tomaz Amorim Izabel
ninguém sai de casa a menos que
casa seja a boca de um tubarão
você só corre para a fronteira
quando vê a cidade inteira correndo também
seus vizinhos correndo mais rápido que você
fôlego sangrento em suas gargantas
o menino com quem você foi à escola
que te beijou e deixou tonta atrás da velha fábrica de latão
está carregando uma arma maior do que o corpo dele
você só sai de casa
quando a casa não te deixa ficar.
ninguém sai de casa a menos que a casa te persiga
fogo embaixo dos pés
sangue quente na sua barriga
não é algo que você já tenha pensado em fazer
até que a lâmina queimada ameaça entrar
no seu pescoço
e mesmo assim ainda você ainda carregou o hino sob
seu fôlego
só rasgou seu passaporte nos banheiros do aeroporto
soluçando enquanto cada pedaço de papel
deixava claro que você não ia mais voltar.
você tem que entender
que ninguém coloca seus filhos em um barco
a menos que a água seja mais segura que a terra
ninguém queima suas palmas
sob trens
embaixo de vagões
ninguém gasta dias e noites no estômago de um caminhão
se alimentando de jornais a menos que os quilômetros viajados
signifiquem algo mais do que jornada.
ninguém rasteja por debaixo de cercas
ninguém quer receber surra
piedade
ninguém escolhe campos de refugiados
ou revistas íntimas em que seu
corpo fica doendo
ou a prisão,
porque a prisão é mais segura
do que uma cidade de fogo
e um guarda de prisão
na noite
é melhor do que um caminhão
de homens que se parecem com seu pai
ninguém conseguiria suportar
ninguém conseguiria digerir
ninguém teria uma pele tão dura
os
vão embora negros
refugiados
imigrantes sujos
requerentes de asilo
sugando nosso país até secá-lo
macacos com as mãos abertas
eles cheiram estranho
selvagens
bagunçaram o país deles e agora querem
bagunçar o nosso
como as palavras
os olhares sacanas
escorrem pelas suas costas
talvez porque o golpe é mais leve
do que um membro decepado
ou as palavras são mais macias
do que catorze homens entre
as suas pernas
ou os insultos são mais fáceis
de engolir
do que cascalho
do que osso
do que o corpo do seu filho
em pedaços.
eu quero ir para casa,
mas casa é a boca do tubarão
casa é o tambor da arma
e ninguém sairia de casa
a menos que a casa tenha te perseguido até a praia
a menos que a casa tenha te dito
para apressar as pernas
deixar suas roupas para trás
rastejar pelo deserto
vagar pelos oceanos
se afogar
salvar
ter fome
pedir
esquecer o orgulho
sua sobrevivência é mais importante
ninguém deixa sua casa até que casa seja uma voz suada no seu ouvido
dizendo –
saia
fuja de mim agora
eu não sei o que eu me tornei
mas eu sei que qualquer lugar
é mais seguro que aqui.
2) Running to the sea (Röyksopp feat. Susanne Sundfor)
I remember running to the sea/the burning houses and the trees/ I remember running to the sea/ Alone and blinded by the fear/And the river flows within your skin/ like savages horses kept within/ and all is wasted in the sand/like breaking diamonds with your hand
Tradução: Tomaz Amorim Izabel
ninguém sai de casa a menos que
casa seja a boca de um tubarão
você só corre para a fronteira
quando vê a cidade inteira correndo também
seus vizinhos correndo mais rápido que você
fôlego sangrento em suas gargantas
o menino com quem você foi à escola
que te beijou e deixou tonta atrás da velha fábrica de latão
está carregando uma arma maior do que o corpo dele
você só sai de casa
quando a casa não te deixa ficar.
ninguém sai de casa a menos que a casa te persiga
fogo embaixo dos pés
sangue quente na sua barriga
não é algo que você já tenha pensado em fazer
até que a lâmina queimada ameaça entrar
no seu pescoço
e mesmo assim ainda você ainda carregou o hino sob
seu fôlego
só rasgou seu passaporte nos banheiros do aeroporto
soluçando enquanto cada pedaço de papel
deixava claro que você não ia mais voltar.
você tem que entender
que ninguém coloca seus filhos em um barco
a menos que a água seja mais segura que a terra
ninguém queima suas palmas
sob trens
embaixo de vagões
ninguém gasta dias e noites no estômago de um caminhão
se alimentando de jornais a menos que os quilômetros viajados
signifiquem algo mais do que jornada.
ninguém rasteja por debaixo de cercas
ninguém quer receber surra
piedade
ninguém escolhe campos de refugiados
ou revistas íntimas em que seu
corpo fica doendo
ou a prisão,
porque a prisão é mais segura
do que uma cidade de fogo
e um guarda de prisão
na noite
é melhor do que um caminhão
de homens que se parecem com seu pai
ninguém conseguiria suportar
ninguém conseguiria digerir
ninguém teria uma pele tão dura
os
vão embora negros
refugiados
imigrantes sujos
requerentes de asilo
sugando nosso país até secá-lo
macacos com as mãos abertas
eles cheiram estranho
selvagens
bagunçaram o país deles e agora querem
bagunçar o nosso
como as palavras
os olhares sacanas
escorrem pelas suas costas
talvez porque o golpe é mais leve
do que um membro decepado
ou as palavras são mais macias
do que catorze homens entre
as suas pernas
ou os insultos são mais fáceis
de engolir
do que cascalho
do que osso
do que o corpo do seu filho
em pedaços.
eu quero ir para casa,
mas casa é a boca do tubarão
casa é o tambor da arma
e ninguém sairia de casa
a menos que a casa tenha te perseguido até a praia
a menos que a casa tenha te dito
para apressar as pernas
deixar suas roupas para trás
rastejar pelo deserto
vagar pelos oceanos
se afogar
salvar
ter fome
pedir
esquecer o orgulho
sua sobrevivência é mais importante
ninguém deixa sua casa até que casa seja uma voz suada no seu ouvido
dizendo –
saia
fuja de mim agora
eu não sei o que eu me tornei
mas eu sei que qualquer lugar
é mais seguro que aqui.
2) Running to the sea (Röyksopp feat. Susanne Sundfor)
I remember running to the sea/the burning houses and the trees/ I remember running to the sea/ Alone and blinded by the fear/And the river flows within your skin/ like savages horses kept within/ and all is wasted in the sand/like breaking diamonds with your hand
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12 setembro, 2015
trilha para mimimi
direto do túnel do tempo, reencontro essa música.
trilha perfeita para momentos mimimi :-)
trilha perfeita para momentos mimimi :-)
10 setembro, 2015
25 agosto, 2015
resiliência
(pra atravessar agosto)
30 maio, 2015
da rapadura
que é doce, mas não é nem um um pouco mole. boa noite, então, pra quem pode dormir. hoje eu fico entre livros (acadêmicos) e boa música. trabalhando, trabalhando e trabalhando. ao menos até o corpo aguentar!
05 abril, 2015
pra começar a semana
14 março, 2015
pra amansar os fantasmas
(uma vez que vários deles resolveram sair das tumbas e passear por esses tempos...).
(porque é preciso conviver com eles, acalmá-los todos os dias, para que a vida não seja um eterno recomeçar de bateres de cabeça e mergulho sempre nos mesmos erros)
(porque para ir adiante, parece que não se deve esquecer o passado, mas atualizá-lo, uma vez e outra vez e ainda mais uma vez. essa sim a verdadeira repetição no estarmos vivos).
(porque é preciso conviver com eles, acalmá-los todos os dias, para que a vida não seja um eterno recomeçar de bateres de cabeça e mergulho sempre nos mesmos erros)
(porque para ir adiante, parece que não se deve esquecer o passado, mas atualizá-lo, uma vez e outra vez e ainda mais uma vez. essa sim a verdadeira repetição no estarmos vivos).
(porque recomeçar é um misto de despedir-se dos mortos e honrá-los: é um trabalho de escuta atenta do passado).
22 fevereiro, 2015
das surpresas bonitas da vida
essa boniteza atravessa o domingo de céu azul e deixa um rastro de nuvens, daqueles que marcam a passagem de algo que já não vemos, nem podemos ter certeza sobre o que é. mas que é bom de ver porque acorda uma sensação boa e infantil de prestar atenção e encontrar sinais.
como não sou (muito) egoísta, divido.
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02 fevereiro, 2015
correndo para as montanhas
(pra quem precisa fazer uma semana pegar no tranco, nessa segunda-feira deliciosamente chuvosa e cinzenta!).
30 outubro, 2014
17 setembro, 2014
para receber a primavera
de braços abertos!
12 agosto, 2014
têmpera
essa música não é só uma música: é um lugar e um tempo. é o apartamento que eu dividia com o vinicius. é o sofá em que a gente assistia o vídeo de um especial com a marilia pêra gravado da tv, na época em que ainda era necessário rebobinar para ouvir à mesma música mais de uma vez. é um momento úmido em um ciclo seco duradouro. é repetição da lição de que ser mulher é desdobrar-se, reinventar-se, estar disposta à mudança. é idealização de um feminino que não existe em parte alguma, mas que apesar disso reconheço em mim, nesse corpo, nisso que podia ser chamado de alma. um lugar e um tempo bons de voltar. tanto mais nesses tempos difíceis, que raspam até o tacho a energia que a gente tem pra viver.
28 julho, 2014
15 julho, 2014
pra encarar a madrugada
A pessoa abusa da própria saúde, abandonando a natação pra ir fazer greve. Aí, fica com as costas travadas por dois dias, na base de analgésico e bolsa de água quente. Com duas orientandas para entregar relatório final esta semana. Dá no que deu: na pessoa virando madrugada para terminar de ler e revisar os textos. Um já foi. O outro já vai.
Enquanto isso, Chvrches, pra animar a noite. Adoro! (The bones of what you believe está na minha lista de favoritos há meses, sem dar pistas de sair dali).
25 junho, 2014
como um mantra
Clube da Esquina nº 1 (Milton Nascimento, Lô Borges, Márcio Borges)
Noite chegou outra vez de novo na esquina
Os homens estão, todos se acham mortais
Dividem a noite, lua e até solidão
Neste clube, a gente sozinha se vê, pela última vez
À espera do dia, naquela calçada
Fugindo pra outro lugar.
Perto da noite estou,
O rumo encontro nas pedras
Encontro de vez, um grande país eu espero
Espero do fundo da noite chegar
Mas agora eu quero tomar suas mãos
Vou buscá-la aonde for
Venha até a esquina, você não conhece o futuro
Que tenho nas mãos.
Agora as portas vão todas se fechar
No claro do dia, o novo encontrarei
E no curral D'el Rey
Janelas se abram ao negro do mundo lunar
Mas eu não me acho perdido
No fundo da noite partiu minha voz
Já é hora do corpo vencer a manhã
Outro dia já vem e a vida se cansa na esquina
Fugindo, fugindo pra outro lugar, pra outro lugar.
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13 junho, 2014
pra onde o vento sopra
(não custa nada um pouco de esperança e fé numa sexta-feira treze de lua cheia: o horror à espreita - mas também a magia).
(que, seres de carne e história que somos, "a manhã, meu bem, é uma volta"). 31 maio, 2014
porque nunca é demais...
... cuidar de arredondar as quinas, lixar as farpas, estofar tudo o que for pontiagudo demais. que nesses tempos duros, cada passo é um risco e é bom caminhar de mãos dadas.
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