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14 setembro, 2012

enamorada

Estou apaixonada pela literatura do Alejandro Zambra. Apaixonada por sua forma de arranjar as palavras, de contar histórias ao mesmo tempo em que fala sobre o próprio ato de escrever. Por sua literatura que é de primeira linha mesmo quando fala de personagens comuns, metidos em situações ordinárias, premidos por preocupações de tododia. Pela precisão com que fala de experiências que, de certo modo, também me tocam a mim: a mim que escrevo; a mim que vivo; a mim que sou latinoamericana e tenho trinta e tantos anos. Estou apaixonada por sua simplicidade. E por seu refinamento. Pelos ritmos que sua literatura inscreve nos meus pensamentos. Por ele ter me apresentado a palavra "jabalina", fazendo-a cruzar o céu da página e o céu da boca, na pronúncia em se tateiam os significados. Por ele ter me ensinado a espionar as conversas das árvores, quando acham que ninguém está ouvindo. Por me levar pela mão até o ponto do ônibus donde se embarca em direção ao passado, que ainda não passou. Apaixonada. Encantada. Enamorada.
(coisa boa que é ter um bom autor por companhia).

20 julho, 2012

escribir

"Le conté sobre la novela nueva. Le dije que al comienzo avanzaba a pulso seguro, pero que de a poco había perdido el ritmo o la precisión. Por qué no la escribes de una vez, me aconsejó, como si no me conociera, como si no hubiera estado conmigo a lo largo de tantas noches de escritura. No lo sé, le respondí. Y en verdad no lo sé.
Lo que pasa, Eme, pienso ahora, un poquito borracho, es que espero una voz. Una voz que no es la mía. Una voz antigua, novelesca, firme.
O es que me gusta estar en el libro. Es que prefiro escribir a haber escrito. Prefiro permanecer, habitar ese tiempo, convivir con esos años, perseguir largamente imágenes esquivas e repasarlas con cuidado. Verlas mal, pero verlas. Quedarme ahí, mirando" (Alejandro Zambra. Formas de volver a casa. Barcelona: Anagrama, 2011: p.55).

08 julho, 2012

bonsai

"Escrever é como cuidar de um bonsai, pensei então, e penso agora: escrever é podar os ramos até tornar visível uma forma que já estava ali, escondida; escrever é cercar com arame a linguagem para que as palavras digam, de uma vez, o que queremos dizer; escrever é ler um texto não escrito, tal como observa Marcelo Pellegrini em um poema que naquele tempo constituía, para mim, uma inquietante música de fundo: Para ler o que quero ler / Teria que escrevê-lo / Mas não sei escrevê-lo / Ninguém sabe escrevê-lo." (Alejandro Zambra, em texto traduzido aqui).

15 junho, 2012

sra. raposa

Não sei se é do mergulho na escrita nesses últimos tempos (e nem é só escrita aqui, mas também acadêmica) ou se é do gato que Rodrigo e eu temos sonhado tanto em adotar, mas ontem acordei pensando na Clarice: "quanto a escrever, mais vale um cachorro vivo".
E aí chegou o livro que mal ganhei de dia dos namorados e já fui lendo pelo caminho e me entregando como há tempos não fazia. Querendo saber mais sobre o autor encontrei uma citação que dizia assim "Sería preferible cerrar el libro, cerrar los libros, y enfrentar, sin más, no la vida, que es muy grande, sino la frágil armadura del presente" (Alejandro Zambra).
Nem escrever, nem ler: acho que vou passar a comer as palavras com sal, sem pimenta.