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28 janeiro, 2010

Ultimamente



Ultimamente este não tem sido o espaço no qual sinto urgência de escrever.
Sinto muito; não é de propósito. Eu gostaria de poder escrever aqui, fluentemente, sem pressões, simplesmente porque este espaço tem sido uma ótima companhia (e me dá de presente ótimas companhias, também). Mas, ultimamente, as palavras dentro de mim desejam tatear outras coisas que não meu cotidiano. E as minhas mãos, quando tecem, é para inventar objetos, misturar ingredientes, fazer a casa habitada de aromas, e não narrativas no teclado do computador.
E em meio a tudo isso, quase sem mais nem menos, visitando a querida Veronika, uma ideia começou a tomar forma e aí nasceu o Contando os Dias. Um espaço de experimentação, ainda engatinhando, mas que me deu ânimo novo - para escrever, mas também para ler, pesquisar, olhar com olhos de ver, escutar com ouvidos de ouvir. Vamos ver por onde vai.
Não vou parar de escrever por aqui e vou tentar ser menos bissexta. Mas também vou cuidar dessas outras partes de mim, que exigem atenção. E aí vou descobrindo o que pode ser a nova "programação normal" destes Noturnos Imperfeitos.

06 maio, 2009

Despedir-se


pro Edu

Acho que eu já sabia disso antes de parir um filho, mas a convivência com o Rodrigo me ensinou muito mais sobre os movimentos envolvidos em desdobrar-se de si mesmo. É quase um parto: por mais que a gente queira, não dá para evitar a dor; o que dá é para acolhê-la como parte do processo e ser paciente com cada fase, cada passo na direção de um renascimento. Porque desdobrar-se é renascer.

Pode ser por uma crise qualquer, pode ser por um momento de transição, pode ser um evento maior como a morte ou a vida...Mas de repente a gente se sente sufocado debaixo da própria pele e o corpo inteiro dói, contido numa casca estreita demais. Os limites ficam tão evidentes que apertam o peito, a alma, a vida. E aí a gente tem que escolher se vai querer manter a mesma casca ou se vai ter a coragem de sair de dentro de si mesmo, arriscando-se até que uma nova forma seja possível. Nem sempre a gente abandona a si mesmo já sabendo onde ir e decidir sair significa enfrentar o mundo e seus perigos armado apenas de uma quase-nudez.

Para desdobrar-se é preciso liberdade. É por isso que às vezes a gente é desajeitado e quebra tudo em volta ao tentar se libertar. É difícil experimentar-se de outras maneiras quando quem está em volta insiste em oferecer o mesmo espelho. Tudo mudou por dentro, e lá vem o outro, com o mesmo olhar de sempre a nos aprisionar.

Bom mesmo é quando o outro é companheiro do nosso renascimento. Quando nos dá as mãos, quando não só acredita que seremos capazes de passar por aquele momento como confia que continuará nos amando, passada a tempestade. Quando divide com a gente o susto da novidade. Se o outro dá essa liberdade e tem essa delicadeza, fica mais fácil abandonar apenas a casca que não serve mais, sem precisar de violência. Com amorosidade, a gente dá a luz a si mesmo sem tanta dor.

Desdobrar-se é também despedir-se de si mesmo; mover-se adiante, cumprir uma etapa, deixar algo pra trás. Com tristeza ou alegria, é despedida. Lenço branco acenando à distância. A gente perde a vida pra ganhá-la, não é mesmo assim o ensinamento bíblico?

"Mulher é desdobrável./Eu sou" (Adélia Prado).

Eu sou.

Imagem: Jen Stark

03 abril, 2009

O Diabo e os Detalhes

Então, que não consigo fazer nada-nada-nada a não ser escutar o tic-tac do relógio que carrego por dentro, como se eu fosse uma bomba prestes a explodir. Até tento desfocar, respirar fundo e olhar pra o que está ao meu lado. Mas não dá - é sempre por menos tempo do que seria suficiente para voltar a ver. A situação é temporária, eu sei. Ainda assim dói um pouco.

Rodrigo agora entrou na onda de dizer "nem doeu!" cada vez que se machuca. E eu tenho conversado com ele, explicado que - ainda que a gente diga isso, ainda que de vez em quando até seja verdade - tem hora que dói e pronto! Dói e é bom que doa; dói e tudo bem anunciar que doeu. Dói, uai! A gente não precisa ser chorão, mas também não é obrigado a ser herói.

Eita, que tá aí uma lição difícil de ensinar...

Pra terminar a semana, uma canção "em feitio de oração", pedindo perdão por esses meus pequenos pecados e por esse meu pecado maior de, temporariamente, não poder amar sobre todas as coisas. Não é só Deus - o Edu e o Rodrigo também vão ter que me perdoar...



Bom final de semana!

17 março, 2009

Memê

Quem me passou esse memê, já há algum tempo, foi a Thais. O memê tem algumas regras, como passar para sete pessoas, comentar no blog dos convidados, comentar no blog de quem convidou etc. Mas, vou abusar da minha excessiva ocupação com essa tese e vou só indicar sete nomes aqui mesmo; e quem quiser fazer também, sinta-se à vontade...

Ah! E embora não tenha nada a ver, falei de tese e me lembrei de uma coisa que me revoltou essa semana.

Bom, eis que, em 1939, depois de muita discussão, aprovou-se finalmente entre nós a lei do salário mínimo, que deveria ser capaz de cobrir as despesas de alimentação, transporte, vestuário e habitação de um operário e sua família. O salário mínimo era diferente segundo o estado da federação, levando-se em conta tanto os diferentes níveis de desenvolvimento quanto as diferentes composições da "ração" básica. Ok. Mal eles tinham aprovado essa lei, já estavam discutindo que o próximo passo - estabelecido o salário mínimo vital - seria estabelecer o salário mínimo social, já que a "legislação social" obviamente caminhava num crescendo, graças à benevolência e visão do presidente Getúlio Vargas, que tão bem soubera concertar os interesses entre capital e trabalho... Vai daí, que mal comecei a olhar os anos 40, o que descubro eu? Um Decreto-lei que autorizava que se pagasse menos do que o salário mínimo (o vital mesmo).

Eram duas as situações visadas pelo Decreto:
(1) jovens, entre 18 e 21 anos, poderiam ter uma redução de 15% em relação ao S.M. se o empregador oferecesse capacitação profissional a ele. A redução podia valer por um ano, caso o curso acontecesse no espaço de trabalho (já havia uma lei que preconizava que os estabelecimentos com mais de 500 empregados deveriam ter refeitório e escola/cursos) e três anos, se o empregador pagasse a capacitação em uma instituição escolar profissionalizante.
E, agora, vem o motivo de minha revolta:
(2) mulheres, poderiam ter uma redução de 10% caso o empregador oferecesse condições adequadas de higiene no ambiente de trabalho.

Ou seja, mal se aprovou o salário mínimo, já se estabeleceu uma distinção entre os trabalhadores homens adultos e os outros, jovens e mulheres, que obviamente trabalham por gosto, e não por necessidade, e claramente não têm responsabilidades pelo provimento da casa... E essa de que a redução no caso das mulheres é compensação por oferecer um ambiente adequado...Afe!

Bom. Mas voltando ao memê...(desculpa, Thais, o desabafo!). Tenho que escrever sete segredos de beleza. Ih...Difícil, hein? Vou escrever sete cuidados que tenho "com o meu myself", como diz uma amiga minha :-)

1. Sabonete para lavar o rosto, jamais! Só uso géis de limpeza sem sabão, como o Cleanance ou Effaclar. Mais o Cleanance, que rende mais e deixa uma textura mais suave...

2. Protetor solar, sempre! Todo dia, chova ou faça sol, passo protetor antes de sair. Fator 30, mas agora no verão estou usando 60! Esse e o primeiro são cuidados por causa da rosácea, mas acabei acostumando e sinto falta se não faço... Tenho a impressão que a pele fica esquisita, sei lá!

3. Manicure. Eu sempre roí unhas. E sempre quis ter unhas iguais às da minha mãe, exemplo de beleza e feminilidade. Fazer as unhas toda semana melhora bem o problema, por isso, depois que encontrei a C. e seu ambiente anti-salão de beleza, resolvi fazer toda semana, sim, ora pois, porque não me conformava em ter mais de trinta anos e unha roída! Até a tese terminar, vou a cada quinze dias porque tempo é coisa rara, mas adoro estar com a unha feita, pintada de cores escuras (alterno entre o Framboesa, Vinho Reserva e Morangos Silvestres, todos da Colorama!).

4. Quando estou triste, uso maquiagem. Aprendi com a minha amigona, Ana Lúcia: se estou triste, nada de ficar me arrastando por aí. Escolho uma roupa bonita, pinto a cara e vamos embora!

5. Me arrumo, mesmo que vá trabalhar em casa. Isso nem sei se é cuidado ou loucura...Mas não consigo ficar trabalhando em casa de moletom e camiseta. Eu levanto, tomo café, banho, me arrumo de até passar perfume.

6. Ficar mais velha. Acho que isso é um segredos dos bons (e tem bastante a ver com o sétimo segredo da Thais). Tem coisa que a gente aprende a deixar pra lá - a gente aprende a disfarçar nossos defeitos e a valorizar o que temos de bom. Além disso, pra algumas coisas a gente fica mais segura, o que sempre tem seu charme ;-)

7. Relaxar, brincar, se perdoar, sorrir, gargalhar, fazer careta, andar de bicicleta, comer frutas...Todas essas coisas que tem a ver com curtir a vida. Ela passa rápido demais pra gente ficar muito preocupado. Beleza é leveza!

Tão aí, os segredos de beleza mais nada a ver. Indico a Renata, a Fabíola, a Nara, a Tati, o James, o Maurice e o Felipe (quero ouvir os homens!).