01 agosto, 2008

Início da Semana Mundial de Aleitamento Materno


Muito antes de engravidar, acompanhei de perto as dificuldades que minha irmã - a Mariana - teve para amamentar a Juju. Minha irmã foi mãe adolescente, quando a Ju nasceu ela tinha 16 anos. Mesmo com a pouca idade, a Mari estava convencida da importância da amamentação. Lembro de acordar à noite e vê-la na poltrona, dando de mamar para a Ju, com lágrimas nos olhos por causa das rachaduras.

Nem por isso ela desistiu. Lá em São José dos Campos, ela encontrou o Projeto Casulo, que é dirigido especialmente às mães adolescentes, mas que atende às mães de qualquer idade que precisem de ajuda para amamentar. Foi lá que a Mari conseguiu acertar a pega da Ju (isto é, o jeito com que a boquinha do bebê pega o seio) e parou de ter problemas de fissuras. Ela amamentou a Ju até pouco mais de um ano.

Quando eu engravidei, achava que parto e amamentação eram coisas absolutamente naturais. Santo erro, Batman! Logo depois do nascido, ainda na sala de parto, ele veio pro meu peito mamar. Mas ele não quis muito, não! Ficou me olhando fixamente, ouvindo a minha voz e só dava umas lambidinhas.

Ele ficou em observação (ah, os nascimentos em hospital...) e só veio para o quarto bem cedinho na manhã seguinte. Sempre que ele chorava, eu oferecia o peito, mas ele não conseguia "pegar" e mamar. Nessas vezes, eu chamava as enfermeiras, que tentavam fazer uma "prega" para facilitar a pega dele, mas aí ele mamava uns minutinhos e desencanava.

A descida do leite - o nasceu na quinta e o leite desceu mesmo no sábado - foi um drama. Eu, recém-parida, com os seios doloridos e quentes e o Rodrigo febril por causa da vacina, aí chega uma enfermeira e diz que o Rodrigo está com febre porque eu fechei todas as janelas do quarto e que ele vai precisar tomar Nan porque senão ele vai desidratar. Eu chorava-chorava, tentando fazer compressas frias para aliviar o peito. E chorava-chorava assistindo ele tomar Nan no copinho...

Finalmente chegou o domingo e fomos embora para casa. A pega ainda não tinha ficado acertada e fui orientada a comprar um intermediário de silicone. Comprei, obviamente, porque morria de medo de não conseguir amamentar.

Fomos levando assim, até a primeira consulta na pediatra, quando vimos que ele estava ganhando pouco peso. A pediatra então me acalmou e me disse para tentar tirar o intermediário.

Eu bem que tentei, mas aí via o menino chorando e acabava usando o intermediário...Ele mamava uns 40 minutos em cada peito, não conseguia dormir muito (acho que só dormia de cansaço do esforço de sugar) e eu já estava ficando louca com o pequeno querendo peito o tempo todo. E, claro, não ganhando peso.

A pediatra então me disse para comprar uma concha - assim o bico se faria no próprio peito e seria possível largar o intermediário. Mas eu só consegui mesmo abandonar o intermediário quando minha mãe veio passar uma semana comigo - me ajudando com a casa, a comida e, principalmente, me acalmando, relembrando a história da minha irmã, segurando o durante algumas cólicas...A presença dela foi fundamental para que a amamentação se estabelecesse com tranquilidade. E o gostou da brincadeira - mamava rapidinho (ai, como é gostoso neném pequenininho mamando, ele fecham os olhinhos concentrados...), dormia bem melhor, as cólicas quase acabaram...Tudo de bom.

Hoje o está com 2 anos e 9 meses e mama. Além do início, tão importante, a gente já teve crises ao longo desse tempo todo, claro. Sem a rede de apoio da Materna, não teria passado pelas noites maldormidas, pelos periódicos aumentos da demanda dele por mamar, pela greve de mamar que ele fez (sim, meus amigos, tão achando que bebês não afirmam suas necessidades?). Já contei um pouco sobre essa experiência da amamentação prolongada aqui. Porque era só eu comentar com alguém que o estava acordando muito de noite para alguém vir dizer "é porque ele mama. Para de amamentar que isso passa". Desisti do meu antigo ginecologista porque ele me deu bronca dizendo que depois de um ano era um absurdo continuar amamentando e meu filho ia ter problemas psicológicos de dependência por minha causa...

Não é fácil remar contra a maré, mesmo quando a gente sente - e sabe, já que as evidências em favor da amamentação são várias - que está fazendo o melhor para o nosso filho. Daí a importância fundamental de gente que te escuta, que te provoca a repensar o senso comum, que divide experiências diferentes de maternidade e, principalmente, que te dá mais repertório para escolher.

Fato é que o melhor alimento para o bebê e a criança é o leite materno. Fato também é que - ainda mais hoje em dia - as mulheres precisam ser apoiadas para aumentar as chances de sucesso da amamentação. Os apoios podem ser vários. Sempre me lembro da Analy, contando de sua filha do meio que lhe trazia água todas as vezes em que ela ia dar de mamar ao mais novo...

Apoiar é oferecer um copo d'água, um olhar de compreensão, dividir experiências, ajudar a procurar boas informações...É diminuir as preocupações para que mãe e bebê possam se entender durante os primeiros dias que são de tão delicado reconhecimento...

Para terminar, mais uma vez me inspirando na Thaís, deixo vocês com um vídeo que o e eu adoramos (teve até uns tempos em que ele me pedia para ouvir a música do "Duerme negrito", de tanto que gostava...).



Para quem quiser saber mais:

Matrice - Ação de apoio à amamentação (em São Paulo)
Relatos de amamentação
Amigas do Peito - grupo de apoio (Rio de Janeiro)
Aleitamento.com

Uma lista dos blogs que estão participando pode ser encontrada no Síndrome de Estocolmo.

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