20 outubro, 2008

Rituais

Destaque para o P.G. roubando marshmallows!


Ontem, depois quase um ano de expectativa (rs...), foi a festa de três anos do Rodrigo. Ele estava num nível de ansiedade tão grande, que a gente precisou fazer um ensaio de "parabéns" no começo da festa! (Aliás, meus agradecimentos à Eliane, querida, que dividiu comigo sua experiência com os aniversários do Cauê - igualmente ansioso - e abriu essa possibilidade. Incrível como de vez em quando tudo o que a gente precisa é alguém que nos pergunte: "por que não?"!).

O bolo teve que ser posto na mesa no começo da festa, porque ele estava inconformado que o bolo estava guardado na geladeira. Talvez ele achasse que só quando o bolo está na mesa é que a festa está valendo :-)

Como os primeiros a chegar foram parentes e amigos nossos, a um certo ponto ele ficou muito chateado: "mamãe, eu quero os meus amigos".

Aliás, fiquei bem impressionada de perceber como ele não tinha se dado conta de que iria ganhar presentes na festa. Ele achou que ele só ganhava presente dos pais e ficou todo desenxabido quando viu a vó e a tia chegando com presentes...Ficou super tímido, meio com medo de abrir os pacotes. Ele estava esperando mesmo eram os amigos chegarem: essa era a razão de tanta expectativa.

E, graças a Deus, eles chegaram. A gente estava super preocupado, porque no dia anterior tinha tido a festa de uma amiguinha da classe dele, e ontem foi aquele dia bonito, né? Chove-não chove, um friiiiio. Achamos que ia dar W.O. Mas os amigos dele foram chegando, todos juntos e encapotados. Aí sim ele ficou feliz, brincou, pulou, correu.

E como em um dado momento o P.C. se vestiu de Homem-Aranha, o Rô abriu o presente que ganhou da avó e do tio: a sua própria fantasia de Homem-Aranha, super cheia de frescuras, que acende a aranha no peito...Gente! A alegria desse menino vestido de homem-aranha foi imensa! Eu fiquei muito emocionada de vê-lo, andando, todo orgulhoso, fazendo poses de herói. Fora que a bateria da roupa quase acabou ontem mesmo.

Na hora do parabéns, ele nem comeu o bolo direito: o único interesse dele eram as estrelas e o R azuis que enfeitavam o bolo! Aliás, essas estrelas foram tema de todas as conversas sobre o aniversário dele: ele passou um ano falando delas! Obrigada, de novo, Tati e Ju.

Os espetinhos de marshmallow foram a sensação das crianças. E dos adultos, também! Aliás, enquanto as crianças foram exemplares em esperar cantar os parabéns antes de pegar os doces, os adultos...E o pior, com a indulgência - pra não dizer incitação - da senhora minha mãe!

Depois que acabou a festa e conseguimos organizar tudo, subimos e então eu peguei o Homem-Aranha no colo. Em dois minutos estava dormindo. E na hora em que fomos colocar o pijama, ele ainda reclamou: "não, não, não gosto de dormir...". Que delícia que é ter dias e momentos que a gente não quer que acabem mais.

Homem-Aranha depois da farra!

19 outubro, 2008

Correria

A semana foi corrida, nos preparativos para a festa do Rodrigo: preparar lembrancinhas, comprar as últimas coisas, fazer e enrolar os docinhos.

Aliás, depois escrevo com calma sobre os docinhos, para dar idéias a quem tem filhos alérgicos ao leite de vaca. O Rodrigo é alérgico, então fazemos todos os docinhos (brigadeiro, beijinho e bicho-de-pé) com leite condensado de soja. É meio chato de dar ponto e ele fica um pouco mais doce, mas pelo menos uma vez no ano o Rô pode ir a uma festa em que não precisa ouvir da mãe: "só pode comer um brigadeiro, tá?".

E o bolo também não tem leite. Preparado pelas queridas Tatiana e Juliana, da Prieto Doces, o bolo é de pão-de-ló, recheado com baba-de-moça e cobertura de marshmallow.

Aliás, também aproveitamos para fazer espetinhos de marshmallow, que o Rô adora. Nos outros anos, fazíamos gelatina, mas como esse ano esta friozinho, decidimos pelos espetinhos. Eu ia fazer maria-mole (TODOS os nossos aniversários - meus e da minha irmã - tinham maria-mole; não daquela com cara de meia velha e suja, mas da de caixinha, cortada em quadradinhos e passada no côco ralado), mas o Rô não se entendeu com o côco e eu desisti...

Bom. Tudo isso pra dizer que não tenho conseguido escrever muito por aqui. Na minha lista semanal de to-dos não faltam assuntos anotados, mas...Sou uma só, né? Mesmo que quando eu diga isso o Rodrigo ralhe comigo, dizendo: "Não! Você é duas!'.

Ai, como eu queria mesmo ser umas duas ou três...

16 outubro, 2008

Não canso nunca



(Chico Buarque, Telma Costa, Tom Jobim; "Eu te amo").

Ultimamente, todo dia acordo com uma música diferente do Chico Buarque no corpo. Tanta boniteza...

15 outubro, 2008

Eu te amo


"Se ao te conhecer/ dei pra sonhar, fiz tantos desvarios/
Rompi com o mundo, queimei meus navios/
me diz pra onde é que ainda posso ir", (Chico Buarque)



Já é só de vezemquando que dói não te ver, não saber como você anda, não ouvir a sua voz. Hoje, o que dói mesmo é a expectativa de te encontrar por acaso, de te ver sem aviso prévio, de me saber incapaz de camuflar a palidez repentina, a gelatina das pernas ou a brandura do amor latente.

Quando fui embora, esperava que não te ver nunca mais fosse suficiente para não me apaixonar a cada reencontro. Não é. Ou pelo menos não foi, até agora: continuo me apaixonando pela sua ausência.

Deveria ter sabido antes que a uma paixão recorrente é possível dar o nome de amor. Deveria ter tido a coragem de me lançar na correnteza ao invés de fincar os pés em terra firme.

Peço perdão por ter saído batendo a porta. E te perdôo por não ter feito nada para reabri-la.

Quando as máquinas param


Aqui em casa, as máquinas costumam cansar quando chega outubro.

Passamos a prestar atenção há três anos, logo depois do Rô nascer. Quando a bolsa estourou, e eu me preparava para ir para a maternidade, percebi que a torneira da pia do banheiro tinha estragado e passara a vazar água tanto quanto eu! Fomos para o hospital deixando o registro fechado...

Trocada a torneira, foi a vez do fogão, que nos deu um baita susto: uma tarde chegamos em casa e o dito cujo estava com a porta do forno aberta. Fantasmas? Pior. Um vazamento contínuo de gás. Tivemos que comprar outro fogão.

No ano passado, mais ou menos nessa época, quebrou o computador (perda total. Ainda bem que existe o André e ele recuperou a maior parte dos arquivos.: minha dissertação de mestrado, inclusive, além de várias fotos da família). E a impressora também quebrou, tudo na mesma semana. Tivemos que substituir ambos, porque o preço do conserto da impressora era o preço de uma igual, nova.

Esse ano já quebrou o ferro de passar roupa (e agora temos um novo, bárbaro e azul!), o chuveiro (lembram que na semana passada contei que acordei e o chuveiro estava quebrado? Não era só a resistência...) e a querida máquina de lavar roupa - ainda estamos esperando as peças chegarem para consertar.

Estou considerando seriamente a possibilidade de comprar um cofrinho e apelidá-lo de "Poupança para outubros".

Sabem o que é pior? É que não são apenas as máquinas que cansam ao final do ano. Uma gripe quis me pegar na última semana e passei vários dias, assim, dividida entre a montanha de coisas a fazer e a vontade de descansar. Fui ficando no meio termo, e parece que a gripe desviou de mim. Pelo menos por enquanto.

Eu entendo essas máquinas: trabalhar sem trégua cansa mesmo. E a gente não é máquina.

Acho que elas só querem nos ensinar a reconhecer a hora de jogar a toalha e parar um pouquinho - descansar, substituir as peças, tomar fôlego, ritualizar o ciclo do ano... Fazer um pouco de nada.

Imagem: http://www.jucelinosousa.com.br/2008/01/

13 outubro, 2008

Instantâneos

Rodrigo, sábado, escolhendo comida no restaurante:
- Rô, você quer de qual sushi? Desse com alga em volta?
- Não! Eu quero do sem roupa! (leia-se: quero do que só tem sementes de gergelim e papoula por fora).

Rodrigo, às 7h30 da manhã de domingo, chegando na cozinha de triciclo:
- Olha, mãe! Eu aprendi a andar! Eu estou grande!
- Puxa, filho, é mesmo. Você aprendeu a andar pedalando...
Nisso, Edu acorda e vem comentando:
- Olha, Rodrigo. Você aprendeu a pedalar. Parabéns! Você aprendeu na escola?
- Não, pai. Eu aprendi aqui na cozinha...

E há uns dez dias, eu tinha ido comprar um livro na Livraria Cultura. Então, fui até a seção de Sociologia e pedi para me ajudarem a localizar. Estávamos lá o Edu, eu e o Rô e mais dois atendentes. O moço procurando e me perguntando:
- É Pesquisa...
E eu: - Pesquisa qualitativa.
Então, o Rodrigo escutou algo que pareceu interessante:
- Do Tatit, mamãe? A gente tá procurando livro do Tatit?
O moço ficou lá, dando risada...

Festa


Hoje o Rodrigo completa três anos de vida fora da barriga.

Deve ser um dos aniversários mais esperados dos últimos tempos, porque - como muitas crianças - o Rodrigo passa muito tempo preocupado em crescer, fazendo planos para "quando eu for grande; quando eu crescer e ficar grande igual o papai".

Desde o semestre passado que ele estava esperando o dia dele chegar. O que me obrigou a marcar alguns acontecimentos intermediários que lhe ajudassem a compreender a passagem do tempo: aniversários de família, férias, festas...E não é que com essa sucessão de datas e compromissos o tempo passou mesmo muito, muito rápido? E cá estamos nós: três anos depois do dia em que pudemos olhar o Rô nos olhos pela primeira vez.

No primeiro ano de vida do Rô, ainda conseguia estar mais perto dele, acompanhando cada pequeno passo. Escrevendo as crônicas de conviver com ele no "Livro de Histórias do Rodrigo". Parei no volume 2.

Porque no segundo ano vieram trabalhos, os prazos do doutorado, minhas crises tão intensas...Embora juntos, embora perto, fomos dando mais passinhos nesse processo interminável de diferenciação entre mãe e filho. Ele foi se tornando cada vez mais uma pessoinha distinta de mim, embora ainda cuidássemos de nossos momentos de fazer de conta que ainda éramos um: a amamentação, o dormir pertinho, os passeios no sling...

Mas não dá para parar a vida, mesmo que seja para ver uma pessoa florescer. E nem estou falando só da minha, mas também da dele: que este ano aprendeu a falar mais e mais, a dizer do que sente, a fantasiar e a ter medo, a dizer "não" com veemência, a chorar não só de dor de corpo, mas também de dor de alma. Ele também aprendeu - aprendemos - outros rituais de acalentar, deixando de lado aqueles que conhecíamos. Primeiro, ele deixou de caber no sling; depois, meu joelho dolorido dificultou nossos passeios de mei-tai; depois, foi a conquista da própria cama, que ele fez com alegria, aproveitando a presença das irmãs mais queridas, nas férias; finalmente, deixou de mamar, sozinho, sem grandes crises - parou de vez há uns dez dias.

Cresceu. Cresce muito esse meu menino. Cresce nas brabezas e também nos carinhos; cresce nas mágoas e também nos perdões. Cresce e se intensifica: está vivo, afinal.

Rodrigo, meu filho: você que já me ensinou tanto, me ensina a delicadeza de fazer o tempo se demorar? Só para que eu aprenda com calma e amor, no meu corpo, a te parir pro mundo sem me ressentir da rapidez com que você corta o cordão umbilical? Me ensina, filho, a te amar soltando a mão?



* Acalanto, do Dorival Caymmi, é uma das músicas prediletas do Rodrigo. Já o vi, inclusive, cantando pro Amigão, para fazê-lo dormir :-)

Imagem: http://www.meusparentes.com.pt/blog/category/divertido/page/2/pt/

09 outubro, 2008

Delicadeza

Era esse o nome da conferência da Maria Rita Kehl que fomos assistir ontem.Eu nunca a tinha visto falando e gostei muito dela.


Como ela mesma disse, a delicadeza não é algo que seja possível abordar diretamente, sendo necessário realizar aproximações a fim de delinear alguns contornos sobre o tema do qual se fala.


Desde o início da fala dela, porém, ficou claro que ela estava tratando da delicadeza como algo que se contrapõe à velocidade e ao fluxo contínuo do tempo, que nos atropela e nos impossibilita fixar experiências. É à aceleração do tempo rumo a um futuro que nunca chega, portanto, que ela contrapõe a idéia de delicadeza.


Ao longo da fala, para evitar que se pensasse a delicadeza como um meio para atingir determinados fins, ela tentou marcar a delicadeza como efeito. Porém, em alguns momentos ela tratou a delicadeza como uma atitude, como a possibilidade de criar distância da correnteza da passagem do tempo. Eu, particularmente, gosto mais dessa maneira de entender a delicadeza.


Na verdade, me interessei em ouvi-la falar porque é um tema que também me é caro (a ponto do meu marido um dia ter sugerido que haveria uma ética no meu modo de me colocar no mundo baseada na delicadeza, que não tem nada a ver com “bonitinho” mas sim com algo que ele chamou de “beijar com socos”; assim como a Ju, que me disse que fiz da delicadeza a minha maneira de arregaçar às mangas e ir à luta).


Mas quero seguir na trilha aberta pela Maria Rita Kehl, da contraposição entre a delicadeza e o correr do tempo, que inexoravelmente nos leva em direção à morte.


É um tema sociológico clássico: a modernidade como a passagem do tempo cíclico para um tempo linear, contínuo e inteiramente voltado para o futuro porque ancorado na idéia de progresso. Está lá no Weber, por exemplo, a diferença entre o sentimento de plenitude da vida que pode ter um camponês e o sentimento de cansaço que pode ter um homem moderno, para quem nunca nada é suficiente.


Assim como está no Benjamin a figura do anjo que tenta inutilmente conter a tempestade do progresso, tentando olhar para trás e distinguir no passado os acontecimentos (já comentei aqui sobre essa leitura do Benjamin a respeito do quadro do Klee). Aliás, a Maria Rita Kehl se referiu ao Benjamin, dos textos “Experiência e pobreza”, “O narrador” e os comentários sobre Baudelaire.


Não vou conseguir escrever todas as dimensões que a fala dela me provocou a pensar, então vou ficar apenas com uma. Ela citou o Heidegger, num texto em que ele dizia da “necessidade de proteger a finitude” (ação que ela aproximou da idéia de delicadeza).


Ela tomou outro caminho em sua análise, mas eu fiquei pensando (e era essa a pergunta que eu ia fazer a ela, Maurice) se “proteger a finitude” não significa reinserir a morte do horizonte do tempo. É uma ação que pode ser pensada do ponto de vista individual, claro (e vou aproveitar aqui para fazer propaganda do lindo texto escrito pela Kalu, lá nas Mamíferas, que traz uma bela reflexão sobre as relações entre vida e morte) mas que também pode ser pensada do ponto de vista metodológico – sociologicamente, porque é esse o meu campo, mas acho que valeria para as Ciências Humanas em geral.


Como ultimamente eu tenho lido muito o Foucault, me impressiona na maneira que ele tem de pensar as coisas, esse esforço contínuo de des-naturalizar termos, categorias e formas que a gente acaba tomando por naturais. O Estado; o Poder; a Loucura... À essa “essencialização” dos termos e formas, ele contrapõe um “esvaziamento”, que implica em fazer uma história das relações que preencheram tais termos e formas de um certo sentido. Parece óbvio, mas, infelizmente, não é.


Talvez seja possível entender essa maneira de construir as questões, identificando problematizações, pensando a partir das crises e das impossibilidades que se tornaram possíveis, como uma maneira que se desdobra da inserção da morte e da finitude no horizonte do tempo. Ao invés de ver a continuidade de um Estado essencial, ele vai demarcando os acontecimentos que implicaram em transformação, em inversão, em ruptura ou descontinuidade em uma determinada arte de governar, que assim torna possível uma outra forma. Sob a mesma figura do Estado, tem-se portanto um outro conjunto de governamentalidades ou, ainda, uma nova articulação entre as governamentalidades que já existiam.


Sob a aparência de continuidade e progresso, a análise insere a possibilidade de compreender o fim de alguns mundos. O que, aliás, me lembra de um trecho de uma crônica do Drummond:


Não se sabe ainda se o mundo acabou realmente no sábado, como fora anunciado. Pode ser que sim, e não seria a primeira vez que isso acontece. A falta de sinais estrondosos e visíveis não é prova bastante da continuação. Muitas vezes o mundo acaba em silêncio, ou fazendo um barulho leve de folha. Tempos depois é que se percebe, mas já então vivemos em outro mundo, com sua estrutura e seus regulamentos próprios, e ninguém leva lenço aos olhos pelo falecido.


A inserção da morte no horizonte da vida, então, é uma posição analítica que abre espaço para que seja possível marcar a especificidade que subjaz à aparente continuidade. Não para levar lenço aos olhos, mas para "nomear as heranças" (se quiséssemos falar como a Hannah Arendt) ou para mudar o jogo estratégico (se quisermos falar como o Foucault).


Antes de terminar este post excessivamente auto-referido, queria só registrar que, depois de ouvir sobre o Heidegger e sua proposta de “proteção da finitude”, me pareceu ainda mais interessante que a Hannah Arendt (que foi aluna e amante dele) tenha feito uma reflexão tão interessante sobre “os novos começos”, isto é, sobre os momentos em que as possibilidades estão abertas e em que há espaço para inauguração de novas tradições. À inexorabilidade do fluxo tempo, ela contrapõe as promessas e o perdão, como ações humanas que subvertem – ela não usa esse termo, isso sou eu e a minha fixação pelo Octavio Paz – o fato de que o tempo não volta atrás e nem pode ser apressado.

Imagem: Patricia Metola, em http://tipika.blogspot.com/

06 outubro, 2008

As cinzas das horas

Tanta coisa acontecendo, tanta coisa para registrar, mas no fim do dia sobra só o cansaço e as cinzas das horas, sempre insuficientes. Consumidas, elas e eu.

Rodrigo às vésperas de completar três anos, está cada vez mais lindo e esperto. Mas também em crise, sem saber se é bom mesmo esse troço de crescer. Presta atenção em tudo o que dizemos, e depois não esquece mais. Outro dia, conversando com ele, comentei que ele estava crescendo e que ele iria crescer ainda mais. E que então eu não conseguiria mais carregá-lo, mas que, mesmo assim, ele sempre teria colo. Então, na semana passada, um dia ele acordou muito tagarela e animado e me disse: "esse pijama está ficando pequeno. Porque eu já cresci e agora sou grande! E não vou caber no colo... Mãe? Posso deitar na sua perna?".

E eu ando tão sem paciência...Ele em crise, provocando, exigindo atenção. E eu exausta, preocupada com minha tese e meus prazos. Fica difícil saber se a crise é por minha causa ou se minha ausência-presente piora a crise. E a culpa que sinto, quando acho que é por minha causa, não melhora nada meu humor, nem aumenta minha paciência. De maneira que as coisas não estão fáceis.

O jeito é respirar fundo, contar até mil e tranformar irritação em amorosidade. O jeito é fazer milagre. E tentar não perder o meu menino de vista no meio do excesso de vida.

"Mas ao amanhecer eu penso que nós somos os contemporâneos do dia seguinte. Que Deus me ajude: estou perdida", (Clarice Lispector).

Enquanto isso (na Sala de Justiça): hoje a mamífera convidada no blog das Mamíferas sou eu, falando sobre os medos que temos e tentando descobrir Quem tem medo do lobo mau? Vai !

Para terminar, um pouco de cor no cinza, tirada num dos dias chuvosos que têm feito ultimamente:


03 outubro, 2008

Murphy

Então que Rodrigo ontem chegou tão cansado da escola que comeu e dormiu, sem tomar banho-escovar dente-colocar pijamas. Quando cheguei em casa, ele já estava dormindo...

Hoje, já acordamos atrasados. E, quando fui entrar no banho, tchã-rã! A resistência tinha queimado...O que me levou a tomar um banho gelado, pra começar bem o dia, né? Embora, é preciso reconhecer, que se fosse em qualquer outro dia dessa semana, teria sido beeeem pior.

E eu tinha que dar banho no Rodrigo, que ainda estava com a mesma roupa com a qual foi na escola ontem. Toca encher piscina, toca ferver água, toca fazer mil viagens para encher a piscina de água morninha (e viva a água quente na torneira da cozinha!). Dei banho no Rô, que na hora de sair chilicou que queria, além do balde, a pá e - num gesto de revolta - começou a jogar água no banheiro todo.

Enfim. Depois de muitas enrolações para pôr roupa, tomar café, escolher sapato, arrumar a bolsa etc., conseguimos chegar na escola. Uma hora e meia depois do horário de entrada!

O bom é que, com tudo o que ele dormiu, ele estava bem-humorado.

É, tá. Nem foi tão ruim assim...