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05 dezembro, 2012

amor doidinho

Vai daí que o Edu um dia me mandou um vídeo da Clarice Falcão chamado "Macaé": eu assisti, ouvi, morri de rir porque é fofo e divertidíssimo ao mesmo tempo.
Depois disso, fui ouvir "Monomania", que é musiquinha delícia e gruda no cérebro que nem chiclete... 
Mas essa semana descobri "Uma canção sobre o amor, ah o amor..." e é simplesmente a melhor música ever. Vamos combinar: "brincar de sério no necrotério" é pura poesia :-) Então, Clarice Falcão pra gente começar a encerrar o ano com alegria e leveza!



11 junho, 2011

apetência

Tudo começou assim: há uns dez dias, comprei um mangá chamado Gourmet. E devorei em dois dias, porque as histórias são curtas, a gente quer saber o que vai acontecer com o protagonista, e além do mais é leitura saborosa por demais!

São dezoito cenas, que parecem curtíssimas, mas só porque a narrativa é tecida por desenho e palavras. Fosse possível colocar em palavras tantas minúcias, certamente o livro daria um romance ;-) Fato foi que o protagonista parece sempre com fome, e os pratos que ele encontra pelo caminho são ao mesmo tempo tão simples, mas tão adequados... que eu lia e só pensava em ir até a Liberdade e comer, comer, comer... Cada história traz a visão e a descrição do prato, em detalhes. Juro para vocês que dá para sentir o cheiro da comida sendo preparada, os cheiros dos pequenos restaurantes onde ele entra...

Por conta de tudo isso, fiquei morrendo de vontade de comer comidas japonesas. Só que a gente anda com uma certa escassez aqui no bairro de lugares onde comprar ingredientes com variedade e a preços honestos. Depois que o hortifruti que ficava onde era a CAC fechou (a gente passou um final de semana por lá e o terreno estava todo aplainado!), ficamos sem opção. Até abriu uma lojinha bem bacana e não muito cara na Heitor, mas nem sempre eles têm as coisas. De todo modo, foi até lá que fomos sábado passado, para comprar coisas para fazer Udon e também algumas conservinhas para comer com goham.

Semana passada, então, o final de semana teve goham com conservinhas e guiozas, o udon delicioso do Edu e ainda sobrou caldo prum lamen no domingo à noite.

Eu achei que toda essa comilança tivesse acabado com a minha gulodice pós-mangá. Mas eu estava enganada (inclusive, depois de tanta comilança, dá para dizer que eu estava redondamente enganada :-P). Por isso, hoje aproveitamos a manhã ensolarada para ir à Liberdade, passear, comer bolinho de legumes delicioso na barraquinha da Batchã mais fofa desse mundo, namorar panelas elétricas de arroz e, claro, abastecer o freezer com pão chinês e moti bem fresquinho (aprendi no final do ano passado, com a moça da feira que me vendeu o moti para o ano novo: quando ele está bem fresquinho, é só congelar e tirar uns vinte minutos antes de preparar!), comprar conservinha de nabo, umeboshi, obentô pro almoço. E é tão gostoso passear por lá sem pressa, namorar vitrines de comidas, sentir o perfume de comida que começa a sair dos lugares mais pequenininhos e inusitados...

É engraçado que não é uma fome só de comida. É uma fome de revisitar sabores conhecidos, de saborear as misturas do doce com o amargo com o azedo, de reencontrar um passado que nem é meu... uma fome de satisfazer a alma, como se possível fosse.

Deve ser por isso que o personagem está sempre com fome, mas também sempre cheio. Aprendi essa semana, com a médica, que o adoecer nunca dá espaço para que duas dores coexistam: uma sobrepuja a outra. Vai ver que ter fome sobrepuja outras faltas. Vai ver estar cheio reativa faltas que latejavam em silêncio. Porque saudade não faz ponhóinhóim na barriga, mas dói também. E nem toda voracidade do mundo é capaz de disfarçá-la.

E para não ficarmos sem música, hoje, dia 24, numa não-categoria (já que só lembrei da música ao escrever o post) vamos de Titãs, "Comida". Que a gente quer inteiro, e não pela metade.

09 fevereiro, 2011

ao rés do chão

comprei na feira um quarto de melancia: linda, madura, de um vermelho fresco e vigoroso que põe água na nossa boca antes mesmo do primeiro bocado. cabe mal na geladeira. daí da ideia de transformá-la em suco, no meio da tarde quente e abafada. chego a pegar a jarra, mas me falta coragem. melancia bonita e doce assim não é de se saborear em pasta. não: coisas doces e suculentas assim só valem a pena inteiras - os pedaços estalando, o sumo escorrendo pelos cantos da boca, as sementes interrompendo e completando a fruição. que o bom da vida não é de se tomar aos goles, mas de se cravar os dentes.

05 julho, 2010

Pão com ovo

Depois da Veronika ter escrito lá no Piperca (apelido super simpático e charmoso inventado pela Neide) sobre a importância de, nos piqueniques, levarmos algo mais ao paladar dos pequenos - que, em geral, correm, exploram, brincam e pulam e quase não comem - tinha ficado pensando no que levar. E aí, na semana passada, fui começar a (tentar) trabalhar e marido tinha deixado aberto o blog do Katsuki, num post sobre piquenique. Então, resolvi: ia levar pão com ovo.

A decisão me levou longe no tempo. Quando eu estava na 5ª série (a antiga, que a gente fazia aos 10 ou 11 anos), minha melhor amiga era a Anna Carla. A gente se conhecia desde a 4ª série, e já éramos bastante amigas - eu achava o máximo o fato dela ser chilena e adorava visitá-la, para ouvir a família toda falando em espanhol... Além disso, seus pais eram separados como os meus, o que me fazia me sentir um pouco menos anormal (naquela época, eu só tinha duas amigas cujos pais tinham se separado, a Anna e a Paola).

Depois que a mãe dela se casou de novo e engravidou, eles se mudaram para uma casa mais longe, o que tornou nossas visitas menos constantes. O engraçado é que pouco me lembro da nova casa deles, mas me lembro bem do encantamento de andar no trailer da família. Era simplesmente o má-xi-mo!!

Mas me lembrei da Anna Carla porque, enquanto ela ainda morava mais perto e as visitas eram mais comuns, eu adorava dormir na casa dela. Aos finais de semana não haveria tanta graça; eu gostava mesmo era de ir dormir lá em dia de escola. A gente brincava, papeava até cansar e, no dia seguinte, a mãe dela nos acordaria cedo, nos faria café e prepararia a iguaria tão cobiçada: um sanduíche de pão com ovo, em pão francês.

Eu não sei bem o que me encantava mais - que a mãe dela preparasse o lanche (acho que eu levava bolachas de pacotinho ou, mais tarde, dinheiro para comprar algo na cantina), que ela se preocupasse com o meu lanche, que na hora do recreio (eita palavrinha velha!) eu tivesse aquele segredo de ovos guardado na mochila... O fato é que, por muito tempo, quando eu queria uma comida de conforto, daquelas que imediatamente fazem a gente se sentir acolhido e amparado, frequentemente minha escolha recaía sobre um pão francês com ovo. Comida que, pra mim, sabe a cuidado e partilha.

E que alegria foi ver a criançada comendo os tais sanduichinhos, recheadinhos de salada de ovos e de memórias de infância!

12 maio, 2010

É pique-é pique- é piquenique!

Ainda que com bastante atraso, registro aqui um pouquinho do delicioso piquenique, que como eu já contei aqui e aqui, vai devagarinho se firmando como des-compromisso gostoso. E agora o piquenique tem blog próprio, com registros, receitinhas e ideias para quem também quer começar a fazer um Piquenique Perto de Casa!

O domingo amanheceu tristonho, naquele clima de antes-da-chuva que tanto me dói por dentro. Então, achamos que o piquenique tinha dançado - o combinado é o seguinte: não choveu, tem piquenique.

Mas aí, como a chuva estava indecisa, fiquei indecisa também e resolvi dar uma passadinha pela praça, para ver se alguém tinha se animado. Vi a Veronika e a Mônica dando voltas no coreto e então resolvi preparar as coisas para ir ao piquenique - em tempo: vendo a cena, achei que elas estavam procurando um lugar menos molhado para estender as toalhas, já que tinha chovido tanto no sábado. Só depois que descobri que todos estavam arrumando a bagunça que uma festa no dia anterior deixara; se soubesse, juro que tinha descido e ajudado :-)

Veronika, Neide e Mônica, enfrentando o tempo carrancudo 

Voltamos para casa e aí fui fazer os pães de queijo com o polvilho doce, enquanto Rodrigo e Edu amassavam um pão com uvas passas. Também resolvi fazer uma guacamole - ultimamente, vício por aqui.

Nessa brincadeira, levamos quase duas horas e aí, como a chuva continuasse ameaçadora, decidimos ir apenas com os pães de queijo e a guacamole mesmo, deixando a massa do pão com passas crescendo.

Guacamole, farta em cebola e coentro

Rodrigo, como sempre, estava animado para ir ao piquenique. Pôs suas botas vermelhas e seus binóculos, recusou o casaco - "eu não tenho frio, mamãe" - e logo se juntou aos meninos da Veronika para explorar a praça molhada. Como bem disse a Neide, crianças gostam de piquenique.

Exploradores: tudo vira brinquedo

E o fato é que o dia das mães foi delicioso, com conversas sem pressa, empadas abertas, bolo de maçã, biscoitinhos, saladinhas, suco de maracujá e vinho... O friozinho foi mais que equilibrado pelo quentinho que esses encontros esparramam por dentro - como bem disse a Mônica, o piquenique é encontro, é mudar a relação que temos com o entorno de onde moramos, é trocar receitas, mas também é cuidado e delicadeza com a praça, com os  demais piqueniqueiros, com as crianças que brincam  soltas no espaço e na imaginação.

Aqui em casa, o piquenique começa bem antes do domingo, na escolha do que preparar, no fazer das receitas, do sorriso sapeca do Rodrigo roubando massa crua de pão, no arranjar as coisas na sacola. E continua depois, na maciez que sucede os momentos que são plenos.

Os piqueniques têm sido pura partilha.

E a única coisa que me deixou triste neste último piquenique, depois de ver o post da Neide, foi perceber que perdemos a banana com paçoca ;-) Acho que esse é um dos cafés da manhã prediletos do Rodrigo: banana amassadinha com paçoca; eita combinação boa! E a ideia que ela teve, de fazer uns espetinhos, foi tão boa - ao ver as fotos, fiquei com água na boca!

Fotos: Neide Rigo.

08 fevereiro, 2010

Fim de semana

Este final de semana foi difícil de parar para escrever. No sábado saímos cedo para resolver uma porção de coisinhas e à tarde fomos à festa de uma amiguinha do Rodrigo. Levamos junto o F. e depois de um certo momento, nem vi mais os dois: se enfiaram na cama elástica e só lembravam que eu existia quando batia a sede :-)
Rodrigo estava felicíssimo com a fantasia de Ben10 que ganhou para o Carnaval - no começo, tínhamos planejado fazer uma super fantasia de "Doutor", com direito a jaleco, cruz vermelha, estetoscópio... e depois também piramos imaginando como seria uma fantasia de Astroboy (mas como rimos muito com a ideia de uma cueca com cinto, acabamos não avançando nessa direção). E eu não canso de me espantar em perceber como eles estão numa fase deliciosa e divertida.
Na festa, que era em Perdizes, ainda vimos o bloco de Carnaval de rua passar, o que encantou as crianças e, apesar da chuva, colocou na janela quase todos os moradores dos (muitos) prédios.
Conclusão: sábado chegamos em casa quase às 9h da noite, super exaustos. E no domingo, às 7h o menino já estava em pé.
Aí aproveitamos o fresquinho da manhã para ir ao Ceasa e, na volta, começamos a preparar as coisas para ir ao piquenique, inventado pela Veronika e pela Neide (no Come-se tem muitas fotos dos piqueniques, além de textos muito saborosos) .
Fiz uma versão modificada da torta da minha mãe, sem cebola ou alho na massa e com um pouco mais de leite (para ficar mais molhada), e uma versão também modificada da torta de banana (que também é receita da minha mãe). A receita está abaixo. Chegamos lá mais de 12h30 e só saímos perto das 16h. E foi uma delícia: comidinhas gostosas, papos divertidos, crianças felizes explorando a praça, as prometidas empanadas deliciosamente temperadas... Estava tão bom que esqueci de tirar a máquina fotográfica de dentro da bolsa!

Frutas e uma tortilla deliciosa!

O mais engraçado foi o Rodrigo, mal entrando no carro e perguntando: "mãe, quando vai ter outro piquenique?". E hoje de manhã, uma das primeiras coisas que ele me perguntou é se hoje era dia de piquenique :-) Sabe o que é bom, esse menino!

Rodrigo no colo, em um de seus poucos pit-stops para reabastecer

Ele chegou em casa dormindo e, depois de descansar, fui cuidar da um bocadinho da casa. E aí, puft, o dia tinha acabado, mas sem nenhuma melancolia de domingo à noite. Também, com tanta festa e tanto encontro, a gente dá uma rasgadinha básica no encadeamento cotidiano dos dias e pressente um tempo novo - em que o cansaço cede lugar à plenitude.

A torta de banana, com pequenos furinhos feitos por um certo ratinho...

Torta de Banana
Uma dúzia de bananas nanicas maduras
10 colheres de farinha (eu usei 6 de farinha branca e 4 de farinha integral)
10 colheres de açúcar
1 colher de fermento em pó
Canela em pó
Manteiga
2 claras

Eu gosto dessa torta porque ela praticamente não tem massa: é quase só banana. Gosto também porque é fácil de fazer e, quando bem gelada, fica fresquinha e ainda mais saborosa.

Corte as bananas na direção do comprimento. Misture a farinha, o açúcar e o fermento em uma tigela. Em seguida, forre uma travessa untada com uma camada de banana e polvilhe a mistura de farinha e açúcar até cobri-las (é uma camada fina). Feito isso, polvilhe levemente com canela e distribua pequenas lascas de manteiga (cerca de 3cm). Feito isso, faça outra camada de banana e repita a operação. Em geral, faço três camadas de banana, sempre fazendo a mesma coisa: farinhas/açúcar, canela e manteiga.
Quando a torta estiver montada, bata as claras em neve. Na receita original, depois da clara em neve, misturam-se as gemas e cobre-se a torta. Eu confesso que às vezes me enjoa o gosto de ovo, então ontem experimentei fazer um suspiro pouco doce com uma gotinha de baunilha, joguei por cima e levei ao forno (cerca de 35 minutos em forno 255º). Eu gostei do resultado (a torta fica mais coradinha) e o Rodrigo ficou encantado com o suspiro.

É só isso. Simples e gostoso. E sabe que, embora seja gostoso gelada, eu até que gostei dela morninha, como café da manhã? Não sei se porque o Rô está com mania de pedir banana com açúcar e canela no café, mas achei que combinou...

Imagens: Neide Rigo.

26 julho, 2009

Alimentar o corpo

Então, depois de muito tempo, eis me aqui finalmente roubando tempo para escrever as duas receitas que prometi.

Começando pela mais fácil: Creme de cenoura com gengibre.

A única coisa difícil dessa receita é tentar entender as medidas, já que fiz depois de experimentar em algum lugar e por isso só sei fazer a olho...
Ingredientes:
3 ou 4 cenouras médias
2 batatas médias
1 pedaço bem pequeno de gengibre (hmmmm... deixa eu tentar explicar melhor... mais ou menos a metade de um polegar).
Sal.
Água.
Bão. Preparados para os passos da receita?
Então é assim: você descasca as cenouras e as batatas e as corta grosseiramente. Aí, coloca na panela de pressão, com mais ou menos 1,5l de água fervendo (ou até cobrir), junto com sal e o gengibre. Aí fecha, deixa cozinhar por vinte minutos e fica sentindo o aroma do gengibre se espalhar pela cozinha - ou pela casa, caso a sua seja pequenina como a minha ;-)
Passados os vinte minutos, você desliga e espera esfriar (ou, se se sentir seguro, coloca a panela debaixo da água fria, para interromper o cozimento e tirar a pressão). Abre, e aí bate o creme. Eu uso o mixer pra bater na panela mesmo, mas no liquidificador também rola. Experimente e corrija o sal, se necessário.
Voilá! Está pronta. Super leve e saborosa, um creminho para aquecer seu inverno.
Agora, a da torta. Quem me ensinou essa receita foi minha mãe, que faz uma deliciosa torta de ricota com espinafre. Como ela é fácil por ser de liquidificador, acabei adaptando-a para outros recheios, como alho poró ou palmito. Fica tudo bom, desde que você cuide de deixar o molho um pouco molhado, porque a massa é bem sequinha.
Vamos aos ingredientes:
1 xícara (chá) de maizena
1 xícara (chá) de farinha de trigo
1/2 colher (sopa) de fermento em pó
3 colheres (sopa) de queijo ralado
4 ovos
1 colher (chá) de sal
1 xícara (chá) de óleo
1 dente de alho amassado
1 cebola ralada (eu uso uma pequena)
1 colher (sopa) de salsa picadinha
Duas observações:
- ao invés de 1 xícara de farinha, eu coloco 1/2 xícara de farinha de trigo branca e 1/2 de farinha integral.
- ontem, como estava sem maizena (e com muito frio para sair e comprar), acabei colocando 1 xícara de farinha branca e 1 xícara de farinha integral. Ficou ótimo! Estou pensando seriamente em passar a fazer assim daqui pra frente, porque achei mais leve do que a versão com maizena.
Bom. Passos da receita.
Você deve colocar todos os ingredientes secos numa tigela. E aí, no liquidificador, você bate os ovos, sal, oléo, alho, a cebola e a salsa.
Então, você vai misturando, com uma colher de pau, a parte seca e a molhada. A massa fica verde e bem pesada mesmo, não se assuste.
Quando tudo estiver misturado, você deve separar a massa em duas partes. Aí, coloca metade na fôrma untada com óleo e farinha, para fazer a camada debaixo. Eu uso uma faca para espalhar mais uniformemente. Forrada a fôrma, coloque o recheio de sua preferência e depois cubra com o restante da massa. Então é só colocar no forno pré-aquecido e deixar por cerca de vinte minutos - ou, método mais utilizado por mim, até cheirar e estar dourada. Pronto!
Sobre os recheios, o de ricota com espinafre é básico: refogue e corte o espinafre; amasse a ricota com garfo e depois misture ao espinafre, colocando um pouquinho de leite ou requeijão para dar liga e não ressecar.
O de alho poró também é fácil: molho bechamel, misture o alho poró, deixando cozinhar um pouco (um médio é suficiente para esta quantidade de massa) e está pronto.
Bom apetite!

05 junho, 2008

Mãe Monstro


Rodrigo parece estar descobrindo a raiva: reclama quando é contrariado, tenta bater e chutar, atira as coisas ao longe. Uma delícia... A gente às vezes briga, às vezes põe de castigo (não ele, mas o filme predileto, o brinquedo querido), às vezes tenta conversar com ele a ajudá-lo a entender o que está acontecendo.

De umas semanas para cá, ele cismou com a história Quando Mamãe virou um Monstro (Joanna Harrison, BrinqueBook).

Pede para contar várias vezes e, depois que terminamos, começa a contar ele mesmo, com ênfase nos detalhes mais deliciosos: - E então...ela soltava fumaça, e fogo e um urro terrííível...E ele adora a parte em que ela esquece de tirar o cabelo de monstro e quase atende a porta toda descabelada.

Um dia, enquanto lia, comentei que de vez em quando eu também virava um monstro. Ao que ele, em toda a sua sabedoria, respondeu: - Eu também virei, mamãe! E o papai, e a Júlia e a Bia...

Moral da história: todo mundo de vez em quando vira monstro. Com pés, orelha, cabelo e rabão.

Hoje de manhã, eu ainda estava de pijamas, toda descabelada. E Rodrigo achou um pente. Foi então que ele teve uma idéia super carinhosa: - Vem aqui, mamãe, que eu vou pentear o seu cabelo de monstro.

Bem penteada, fiquei um pouquinho menos monstra.


Imagem: http://www.weno.com.br/blog/archives/2007_02.html

03 junho, 2008

Veja, meu bem


Ontem, vínhamos no carro Edu e eu. Eu comentando de amigos queridos que ressurgem (Daniel, é com você...), ele me dizendo que eu tenho vários amigos queridos e eu dizendo que não, imagine, são poucos.

Vai daí que paramos no sinal e, quando olho pro lado, vejo o Vini. Aí começo a gritar: "Vini, Vini!!!". E Vini veio, pruma carona rápida e a ansiedade de cinco anos em cinco minutos. Ô gostosura!

Vini e eu moramos juntos por um pouco mais de dois anos. Começamos nós dois, depois se juntou a nós Petronio. Tempos intensos, de fim de curso, de virar gente grande, de amores um tantinho perros. Pra mim, vinda duma família super feminina, foi o máximo viver com esses meninos-homens. Me sentia super paparicada e adorava paparicá-los.

E eu já tinha pensado nele hoje. Vi alguém na USP que me fez lembrar dele e senti saudades.

Depois que já tínhamos nos despedido, tocou o telefone e era o Vini. Pra contar que se lembrou que, antes de nos encontrar, estava cantarolando uma música e pensando em mim, em Rodri (não o meu filhote, mas nosso amigo maranhense).

Veja você, arco-íris já mudou de cor
E uma rosa nunca mais desabrochou
Eu não quero ver você
com esse gosto de sabão na boca

Veja meu bem, gasolina vai subir de preço
Eu não quero nunca mais seu endereço
Ou é o começo do fim.
Ou é o fim*.

Tanta coisa boa, Vini. Eu te confesso que desde que tinha terminado o texto de qualificação que estava assim, meio esquisita, meio fora do tom. Encontrar você fez tudo ficar mais bonito e colorido, apesar dessas feridas da vida. Em poucos minutos, uma tarde inteira na nossa cozinha, tomando o cafézinho passado naquele seu coador de estimação, nas nossas xícarazinhas brancas. Dividindo o susto de estarmos vivos.

Gracias a la vida, que deu um jeito de colocar a gente no mesmo caminho. Adorei.

*Veja, Margarida de Vital Farias.

Imagem: http://www.asmrpg.com.br/wiki/Margarida

25 abril, 2008

Estrelas da Manhã

Rodrigo acordou às 7h e me chamou. Fui lá falar com ele, que estava ainda meio com preguiça, me viu, pegou o Amigão e se esparramou na cama.
Quando finalmente despertou, pediu para tirar o macacão-cobertor que vai por cima de tudo. E se espantou com as meias.
- Olha, mamãe. A minha meia. São iguais.
- É filho, um par.
- Tem estrelinhas.
- É mesmo, Rô.
- A sua não tem estrelinhas.
- Não, filho. A minha não tem.
- Quando você crescer, você vai poder ter meias de estrelinha, mãe.
Oba! Não vejo a hora...

E para a sexta-feira ser bonita, uma canção deliciosa do Luiz Vieira, Prelúdio para ninar gente grande. Beijos e bom fim de semana!

Quando estou
nos braços teus,
sinto o mundo
bocejar...
Quando estás nos braços meus,
sinto a vida descansar.
No calor do teu carinho
sou menino-passarinho
com vontade de voar...
Sou menino-passarinho
com vontade de voar.

* Quando eu aprender direito as ferramentas do blogger, tento colocar o aúdio da música.