que é doce, mas não é nem um um pouco mole. boa noite, então, pra quem pode dormir. hoje eu fico entre livros (acadêmicos) e boa música. trabalhando, trabalhando e trabalhando. ao menos até o corpo aguentar!
Se te pareço noturna e imperfeita/ Olha-me de novo. Porque esta noite/ Olhei-me a mim, como se tu me/ olhasses. E era como se a água Desejasse/ Escapar de sua casa que é o rio / E deslizando apenas, nem tocar a margem. Te olhei. E há tanto tempo/ Entendo que sou terra. (Hilda Hilst)
Mostrando postagens com marcador cotidiano. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador cotidiano. Mostrar todas as postagens
30 maio, 2015
15 julho, 2014
pra encarar a madrugada
A pessoa abusa da própria saúde, abandonando a natação pra ir fazer greve. Aí, fica com as costas travadas por dois dias, na base de analgésico e bolsa de água quente. Com duas orientandas para entregar relatório final esta semana. Dá no que deu: na pessoa virando madrugada para terminar de ler e revisar os textos. Um já foi. O outro já vai.
Enquanto isso, Chvrches, pra animar a noite. Adoro! (The bones of what you believe está na minha lista de favoritos há meses, sem dar pistas de sair dali).
07 maio, 2014
rabiscos
Numa reunião da escola do Rodrigo, ano passado, ao final pediram para os pais deixarem algumas lembranças para os filhos - impressões provocadas por aqueles mundos todos que eles tinham conhecido e criado. Sem saber desenhar ou pintar, fiz o que sabia: armei umas palavras em sentimentos sobre viagens, chegadas e partidas (o tema que eles estavam estudando). Hoje encontrei o rascunho, perdido no meio de algum livro.
quem parte às vezes
nunca chega
às vezes chega e fica
outras fica, pensando em ir embora.
pode-se chegar:
em casa
em pouso provisório
carregando:
raiz
mala
o próprio coração
da gente mesmo
é impossível ir-se embora.
da gente mesmo
nunca se acaba de chegar.
22 abril, 2014
pra começar bem a semana
música, música, música. de preferência em modo loop :-)
21 abril, 2014
(no tranco)
pra quem precisa fazer a semana começar ainda hoje:
24 março, 2014
(mais) bobagenzinhas
depois que assisti "Ela", fiquei imaginando qual voz no sistema operacional teria mais chances de me fazer ficar apaixonada. a não ser em casos muito especiais, raramente pensamos na voz das pessoas que nos cercam. eu, pelo menos, nunca tinha pensado. até um namorado me dizer que a primeira coisa que chamou a atenção dele foi o tom doce e suave da minha voz (o que era uma ilusão, como ele logo percebeu quando conheceu todas as outras modulações). ou até uma amiga comentar sobre a voz grave e masculina do meu marido, ao telefone - dessa vez não era ilusão: é verdade mesmo.
fato é que "Ela" incita nossa imaginação a esse respeito, já que a voz é o mais concreto e "físico" daquele "ser" que não é corpo.
logo que assistimos o filme, disse pro Edu que queria um sistema operacional com a voz do Nathan Fillion. mas aí a Bia descobriu essa banda, e o Nathan Fillion perdeu um tiquinho de seu espaço... acho que quero um com a voz grave desse moço aí (que, nesse vídeo, na verdade só aparece lá na última música).
21 março, 2014
bobagenzinhas
para começar o final de semana se
impressionando com o cuidado da Disney não só com as boas versões (e
vale mesmo a pena brincar de explorar cada uma delas!), mas até mesmo
com a continuidade de timbres das cantoras das diversas línguas!
num tom mais alternativo, vale dançar com os meninos (doidinhos) do Ylvis:
07 fevereiro, 2014
simpatia
Vai daí que resolvi fazer um post-simpatia, no espírito "dança da chuva". Porque a vida nessa São Paulo quente e seca não tá fácil, não.
Começando com Maria Rita:
Passando por Jorge Ben:
E terminando com Credence Clearwater, que tem água até no nome :-)
Se não der certo, ainda me resta a tentativa de lavar as santas de casa...
25 outubro, 2013
baloiço
o sol ensaia sua aparição:
hoje deu pra borboletas
no estômago
e não reúne a coragem
necessária, tão necessária
quando a gente precisa das as caras
para bater.
enquanto ele não vem,
venta.
na rede encharcada, o ar
se deita, se espalha
faz dela balão
dançando lento
como quem se embala
sozinho, em meio à casa vazia.
hoje deu pra borboletas
no estômago
e não reúne a coragem
necessária, tão necessária
quando a gente precisa das as caras
para bater.
enquanto ele não vem,
venta.
na rede encharcada, o ar
se deita, se espalha
faz dela balão
dançando lento
como quem se embala
sozinho, em meio à casa vazia.
23 outubro, 2013
política abissal II (conversas chilenas)
| Foto: Cristiane Fernandes |
nós sempre falamos muito de política. sempre. mas o exercício de memória por ocasião desses quarenta anos quase torna a política um tabu: não tem mais discussão, parece torcida organizada. mal se começa a falar e já se está brigando. tudo muito dolorido. houve especiais de tv, alguns muito bonitos e bem-feitos, falou-se muito de tudo que passou, mas não apenas as vozes então silenciadas se manifestaram e alguns, aqueles, saíram à rua para reconhecer "exageros" ou até mesmo pedir perdão. perdão. e a resposta foi clara: não perdoamos. não é possível perdoar, ao menos não assim, como o pedido sugere - como se um aceno de cabeça ou um meneio de mãos dissipasse toda dor, ainda insepulta.
***
| Foto: Cristiane Fernandes |
os cachorros de santiago são muitos. e grandes. e bonitos. e saudáveis. andam entre os transeuntes, altivos. alguns têm roupas. outros, morada coletiva em casas construídas nas praças. provavelmente para que se abriguem no frio. não brigam entre si, ao menos não cotidianamente. os latidos que ouvi, somente dos cachorros com dono. esperam o sinal fechar para latir com veemência para a fila de carros. dormem, em meio à calçada, com serenidade que revela a confiança de que estarão seguros. não recebem afagos a todo o tempo, mas de vez em quando alguém se senta para lhes coçar a orelha. são parte da paisagem. são signo vivo de certa forma de tratar a vida?
***
creio que não ia gostar do brasil. o chile é um país maravilhoso: caminhando para um lado, temos sol forte e calor; caminhando para o outro, temos frio e neve. meus tios me convidam sempre, mas eu nunca
vou. prefiro aqui. vou pegar um azul para você, que está muito lindo.
sou gráfico, faço silk para camisetas. mas ganho dinheiro mesmo aqui,
vendendo sapatos. quase o dobro. para passar as férias, prefiro o chile, já estou acostumado. meus pais vão sempre ao brasil, eu não. fico aqui. e o vermelho? você não gosta? é couro, todo sapato chileno é feito de couro de verdade. aqui nesse país, agora é assim: se as coisas estão bem ou se estão mal, depende de
pra quem se pergunta. e não tem a ver com posição social, não, é uma
questão de fé. há os que crêem que tudo vai melhorando e está bem. há os
que crêem que tudo está piorando e está mal. e a verdade é que ninguém entende nada do que está se passando. por isso vivo cada dia de uma vez, me concentro no que estou fazendo agora. acho que o verde é que ficou bom, não é verdade?
***
nos ônibus que passam, vários, a placa lembra que tentar viajar sem dinheiro para a passagem é crime, dá multa vultuosa e faz o barato sair caro. no jornal entregue na porta do metrô, ficamos sabendo de lei recentemente aprovada, que torna todos os cidadãos doadores compulsórios de órgãos, a menos que eles se dirijam a um cartório e paguem uma pequena quantia para registrar seu desejo de não doar. é uma pequena quantia mesmo, entre seiscentos e cinquenta e oitocentos e cinquenta pesos. mas juntando o conhecimento da lei, o deslocamento, o tempo de ir ao cartório, a taxa, o custo aumenta e torna os pobres apenas doadores compulsórios. os pobres que a gente quase não vê nas ruas centrais de santiago e que minha amiga me explica que é porque estão longe. que é porque sabem o seu lugar. que é muito importante saber seu lugar. dormirão tão tranquilos quanto os cachorros nas esquinas? terão a coragem de provocar os motoristas dos carros, enfileirados, em sua inexorável rota?
19 setembro, 2013
pra pegar no tranco num dia de chuva
soltando o freio de mão e se jogando ladeira abaixo :-)
03 setembro, 2013
mais projeto para um final de semana
Distribuindo capas charmosas para livros em três, dois...
19 agosto, 2013
mundanidade
O Biscoito agora, quando volta de passear, não quer mais saber de correr pro quintalzinho.
Senta em frente o portão, e me olha como quem diz "é aqui que eu vou ficar".
Espio pela janela e lá está ele, sentadinho, quase solene, observando a rua.
As pessoas. Os carros. Os vizinhos. Os outros cachorros que também passeiam.
De vez em quando late, late, late, late.
E fica muito triste se por causa disso mando ele voltar pro quintal. Faz charme, mostra a barriga, se contorce todo, só pra poder brincar mais tempo.
O Biscoito gosta do mundo. Se interessa por ele: cheira, olha, fuça, cava.
O Biscoito gosta do mundo.
E eu gosto do Biscoito.
Senta em frente o portão, e me olha como quem diz "é aqui que eu vou ficar".
Espio pela janela e lá está ele, sentadinho, quase solene, observando a rua.
As pessoas. Os carros. Os vizinhos. Os outros cachorros que também passeiam.
De vez em quando late, late, late, late.
E fica muito triste se por causa disso mando ele voltar pro quintal. Faz charme, mostra a barriga, se contorce todo, só pra poder brincar mais tempo.
O Biscoito gosta do mundo. Se interessa por ele: cheira, olha, fuça, cava.
O Biscoito gosta do mundo.
E eu gosto do Biscoito.
18 agosto, 2013
projeto para um próximo final de semana
Vai daí que estava fuçando no site do pessoal do Studio Ghibli Brasil (incrível descoberta do marido) e sei lá como, acabei encontrando um tutorial para fazer inarisushi de Totoro. Morri!
Aí, marido perguntou se não rolava um tutorial ou uns moldes para fazer um Tororo de pano. E a mesma mocinha também ensina. Morri de novo!
E agora, vou esperar a semana passar voando, só para eu fazer um Totoro pra mim. E pro Rô. E pro Edu. E tem grandes chances de eu começar distribuir Totoros por aí :-)
E esse site, gente, de onde a mocinha tirou os moldes do Totoro? Por que, meu deus, por que eu fui descobrir isso? Efeitos nefastos sobre meu currículo lattes em três, dois... :-)
06 agosto, 2013
política abissal
"O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas" (Carlos Drummond de Andrade).
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas" (Carlos Drummond de Andrade).
***
a memória de ter ouvido é vaga, mas
o lembrado ficou impresso com força. até acho que eu era pequena, não mais que
oito ou nove anos. talvez tenha sido uma reportagem de tv. que dizia que que no
ano dois mil muitas pessoas estariam morando e vivendo no lixo. veja bem: não
existiam catadores como hoje. naqueles tempos, o lixo não era reciclável – era
só fedor e putrefação. era montanha adornada por pássaros imensos de rapina.
urubus. eu era pequena, de família de classe média. pais separados e uma certa
consciência de decaimento depois disso, o que talvez explique a forte impressão
que a imagem me causou. porque ao ouvir aquela informação, eu soube: pode
acontecer comigo. a qualquer tempo. independente de qualquer esforço meu para
evita-lo. o que se tem é frágil e nenhum destino é improvável. eles e nós não
existe. somos todos igualmente sujeitos às vicissitudes disso que a anete ivo definiu tão bem quanto viver por um fio.
***
o pensamento era ingênuo, é claro.
eles e nós existe e as chances não são igualmente distribuídas. nem as de galgar
degraus acima, nem as de resvalar abaixo. mas é provável que exageremos a
distância. que a vida só seja suportável se afastarmos com a mão essa
consciência brusca e avassaladora de que pode ser com a gente. o
que quer que seja que nos assuste no destino dos pobres: a moradia precária. a
fome. o trabalho que mais parece um ciscar às cegas, feito galinha em terreno
lavado. o corpo fragilizado pelas necessidades, tantas, mesmo aquelas quase
esquecidas diante das mais imediatas. como a de ser visto. como a de se sentir
limpo e digno e autossuficiente. bastar-se a si e aos seus. não depender. pra
seguir vivendo, os nossos pés virados pro lado oposto desse abismo. olhos no
horizonte da terra firme.
***
aí eu leio a história de alguém que caiu nesse abismo. que assistiu, impotente, o
pedaço de terra firme se inclinando de modo a lançar primeiro algumas, depois
muitas, ainda depois cada vez mais gentes pelo despenhadeiro recém-descoberto.
e a quem resta muito pouco. resta a palavra. e a gente gosta de pensar que a
palavra é bote. palavra-paraquedas. depois de puxar o cordão de emergência, aliviando
ploft a gravidade num ir-e-vir suave
na direção do chão. duro e definitivo. linha de chegada para aquém do que...
nada. a essa mulher resta a palavra. e os papéis do despejo. e a raiva incontida. e a sopa da cruz vermelha.
***
eu leio e
choro. um choro manso. porém árido – as lágrimas rasgando caminho no seco dos
olhos e a garganta num travo de banana verde. choro por ela. pelos seus filhos.
pelos seus conterrâneos. pela quebra da ilusão da distância do abismo. pela
dolorosa consciência, forjada na dor, de ser parte da estatística. de ver
acontecer consigo. de ter que abrir mão das explicações que responsabilizam o
outro por sua própria situação para reconhecer que aos bons também lhes ocorrem
maus destinos. porque não somos tão indivíduos assim. porque calhamos de nascer
agora e aqui.
***
eu leio e
choro e volto para a rua do sindicato onde eu fazia entrevistas durante o
mestrado. a rua por onde eu ia e vinha. por vezes, por onde eu ia e vinha sem
sequer entrar no prédio. covarde do ato de abordar quem na beirada desse
abismo. incapaz de ver e ouvir sem doer. incapaz de pedir que me dessem o que
restava: a palavra. a narrativa bote. paraquedas. salva-vidas. aquela boia onde
eu apoiaria meu pensamento, mas inútil para trazer para margem quem em pleno
alto-mar. naquele começo de milênio, o frio cortante da manhã, os copos de
plástico ainda rescendendo a café ou chocolate, e as pessoas na fila onde
ilustram-se as estatísticas. aquelas eram de desemprego. de desalento. de
desalojados das certezas que garantiam que a vida seguisse seu curso. dez,
quinze, vinte por cento da população economicamente ativa que aprendeu que a
crise não é passageira e que por ser duradoura rouba – pouco a pouco, de
início, depois com violência – o que se leva uma vida a construir.
***
se a crise
passa, a vida até reencontra um normal. demora, mas é preciso seguir em frente
e a consciência do abismo atrapalha o fluxo. as mãos doem e sangram do esforço
em não cair, ou do esforço em escalar a parede escarpada. mas os pés se
esparramam no chão recém-redescoberto e trilham aos poucos o caminho que parece
levar para longe daquele desvão. o arrepio nas costas agora somente um pequeno
mal-estar. de vez em quando. ou pesadelo, do qual se acorda com o coração acelerado, entre o alívio e o terror.
***
e se a crise
não passa? a consciência também se perde? não sei. alguns a tentam fixar,
talvez os que mais perderam e os que mais foram tomados de surpresa pela
facilidade com que foi possível perder tanto. a narrativa envolvendo
cuidadosamente essa consciência frágil, cuidando de advertir e ensinar. a
despejada que narra fala daí, desse espaço que só conhece quem perdeu o seu
lugar. vira o espelho para mim, para você e diz: somos iguais. suas chances de
cair eram as minhas. o mérito não conta tanto mais do que a sorte (e o azar,
ela sussurra). a estatística que me engolfou te lambe os pés.
***
o espelho é incômodo e dá vontade de virar o rosto. nos
últimos dez anos, caminhamos de costas para o abismo, cada vez mais gente se
afastando dessa vertigem e seus perigos. mas talvez seja a consciência da
beirada que nos permita ir mais longe do que já viemos. “comunidade de
destino”, era o nome que a Ecléa Bosi dava. à duração dessa consciência da
artificialidade que separa o nós do eles. à persistência da memória de que enquanto
o abismo for largo e fundo, nenhuma distância é segura o suficiente. e que isso
deveria pôr nós e eles num movimento comum.
14 maio, 2013
para atravessar (outra) noite de trabalho
Marcadores:
cotidiano,
Holiday: Billie,
música,
trabalho
11 maio, 2013
23 março, 2013
sábado à noite
o laço frouxo do tempo sem pressa me deu chance de achar o encontro dos meus sonhos: Bon Iver e The National juntos. porque boniteza pouca é bobagem :-)
05 fevereiro, 2013
simples
Edu conseguiu ensinar nosso cachorrico a sentar antes de ganhar a bolachinha-recompensa por ter sido um bom menino durante o seu passeio. Mas agora, é só ele ver que a gente está cozinhando ou comendo que não dá outra: ele chega animado, de rabo abanando e tchum... senta do nosso lado. E eu me espanto com esse misto de fé e de pensamento mágico, que não duvida do aprendido e insiste, qualquer que seja a situação. É tanta confiança que temjeitonão: vira e mexe o bichinho sai com uma comidinha, feliz e satisfeito que a ordem do mundo está a funcionar.
19 outubro, 2012
Biscoito
ele é pequenino, só sete quilos. onze meses. está com a gente há menos de quinze dias. era medroso, se encolhia na calçada ao ouvir um carro ou outro cachorro. mas agora é um pouco menos. é valente quando se trata de espantar a assustadora máquina de lavar roupas ou o tenebroso aspirador de pó. dorme de barriga pra cima de modo a dar sentido à palavra "abandono". puxa os panos da casa pra sua cestinha, sem se importar com nada nem ninguém. bebe muita água. faz muito xixi. quando leva bronca, corre pra caminha, deita e esconde os olhinhos com as patinhas brancas. ele é grisalho, mesmo sendo criança. de roupa azul, é o vira-lata mais lindo desse mundo. a gente se escolheu e eu não consigo mais imaginar um dia-a-dia sem ele. suas patinhas pela casa fazem a palavra "companhia" ser feita de som. faz uns dez dias que entendi a clarice ainda melhor: bem poucas coisas valem mais que um cachorro vivo.
Assinar:
Postagens (Atom)
