Mostrando postagens com marcador ano-novo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador ano-novo. Mostrar todas as postagens

24 dezembro, 2011

abeirar-se

não sei, não sei. há tempos que percebo que o final de ano, com seus ritos de renascimento e renovação, mudaram de sentido (não vou dizer "perderam" para não parecer uma velhinha rabugenta. e também porque sentido é a gente que dá, então se aquele ficou gasto, ninguém disse que não dá para construir um novo). mas este ano, especialmente, a mudança parece que ficou mais palpável, mais nítida. por isso esse esforço de agarrá-la com palavras.
esse fim de ano me trouxe uma preguiça maior. preguiça da correria e do frenesi. mas ao mesmo tempo me trouxe uma energia boa, que obriga à permanência. nesses tempos, precisa de muito mais pique pra parar que pra continuar no fluxo.
talvez por isso esse intervalo entre o fim de 2011 e o começo de 2012 me tenha obcecado com a imagem da beirada: borda da piscina, orla da praia, margem do rio. todas essas beiradas em que a gente se apoia, podendo hesitar antes de se curvar em mergulho. a sensação boa do piso firme e da desnecessidade da pressa. mas também a sensação boa da iminência da água, fria ou quente, doce ou salgada, rasa ou funda, parada ou correnteza. na beira a gente antecipa a sensação, aprende a decidir.
então, nessa beirada de 2012, meus votos são que a gente tenha sempre essa borda firme pra onde correr - um descanso, um respiro, uma mão dada. e que a gente tenha também a coragem do salto (pois a beirada também é do abismo). companhia e coragem. será muito?

27 janeiro, 2009

Para 2009



Janeiro já está no fim, mas vale registrar alguns dos projetos para este ano que começou há pouco. Além do mais, sábado foi o ano-novo chinês e nós fomos na Liberdade, comemorar, ver o dragão, ver o Pedro-super-sério-e-concentrado desfilando (coloco fotos depois!), comer pão-chinês e espetinho de legumes... E aproveitamos para comprar moti, que esse ano não comemos no ano-novo, e fazer um estoque de furikake - já que o Rodrigo é louco por gohan com misturinha.

Vamos à lista:

- Sobretudo, terminar a tese.
- Consumir menos industrializados.
- Consumir menos descartáveis.
- Comprar menos livros.
- Usar mais a biblioteca.
- Aprender a costurar.
- Fazer muitos softies.
- Escrever bastante nos blogs.
- Ter mais paciência.
- Voltar a nadar.
- Fazer mais exercícios.
- Deixar o cabelo crescer (típica promessa fadada ao fracasso, mas vamos lá).
- Brincar muito com o Rodrigo.
- Voltar a trabalhar.
- Namorar, namorar, namorar.
- Ouvir muita música.
- Assistir menos televisão e séries de TV (mas minha nova paixão pelo Patrick Jane e a penúltima temporada de Lost não estão colaborando...).
- Ler mais.
- Resistir à tentação de engatar uma nova pesquisa ao final da tese e "curtir" o espaço vazio, dando tempo para as sementes fecundarem.
- Ir mais ao teatro.
- Encontrar mais as pessoas queridas.
Lembrei:
- Parar de comer carne vermelha (já fiquei 6 anos sem comer, mas acabei voltando quando conheci meu marido-carnívoro).
- Fazer um curso de culinária vegetariana e/ou indiana.
Felipe: andar de bicicleta com o Rô em Amsterdã seria ótimo, mas nesse ano de terminar tese e voltar a trabalhar depois de mais de um ano mergulhada na pesquisa...Sei não. Melhor anotar na lista para 2010! Mas em sua homenagem:
- andar de bicicleta, tendo o Rô como companhia (porque agora ele já aprendeu a pedalar, sabia?) aos finais de semana.

Acho que tá bom, né?

Imagem: www.gettyimages.com.br

05 janeiro, 2009

Reconectando

2008...

...começou na ressaca do agosto quase interminável que foi 2007. Talvez por isso mesmo tenha começado tão cheio de esperanças. Esperanças que, graças a Deus, se transformaram em realidade: crises que resultaram em reencontros, qualificação em angustiante atraso finalmente cumprida, dissertação em vias de virar livro. Isso para falar só das pendências mais práticas.

No final das contas, muitas e muitas razões para agradecer.

...2009

Começou agitado, com visitas à minha avó querida e também com praia e muito sol. Começou também com a tomada de decisões e com uma boa mexida no texto da dissertação, diminuindo de 178 notas de rodapé para aceitáveis e imprescindiíveis 68 (sem comentários! Cada louco com a sua mania...). Começou com muito chamego no filhote e com o esforço em conjunto com o marido para - literalmente - não deixar a canoa virar (era caiaque, mas o que seria da vida sem licença poética?). 2009 começou intensamente familiar - com vó, vô, tio, primo, mãe, padrasto, irmã, cunhado, sobrinhos, bichos de estimação (Thelma e Louise adoraram os ares de Ubatuba!), enteada, marido, filho... Começou com um descanso que eu não tinha há tempos: a tomada de fôlego antes do esforço final, já que nos próximos seis meses há uma tese a concluir. Começou longe da internet, dos e-mails e dos blogs - e por isso peço desculpas a vocês, pela longa, e sobretudo desavisada, ausência.

Tentei escrever um post de final de ano. Mas só me vinha à cabeça a voz da Zizi Possi, cantando uma música que já postei aqui e que fala de renascimento:

"Largar esse cais, ir sem direção
seguir os ventos que clamam por mim.
Tecer minhas teias com minhas mãos
sugar das entranhas desse chão meu fim
digladiar com os dois de mim
ser o São Jorge do meu dragão
dividir meus segredos com árvores
e minhas verdades com o céu.
Trilhar as estradas que não trilhei
romper as portas trancadas por mim
e assim minhas mãos saberão dos meus pés
e assim renascer. E assim renascer" (Altay Veloso, sobre música de Saint-Saenz).

Renascimento, novas estradas, desprendimento do que somos em direção ao que queremos ser. Sonho, desejo, esperança, coragem. Nesse início de ano, são essas as palavras que habitam o meu corpo e dão forma aos movimentos do que sinto.

Um bom novo começo para vocês. E obrigada por terem continuado a me visitar.