24 outubro, 2008

Meus rubores... (Update)


Já faz um tempo que percebi que tem muita gente que chega aqui procurando informações sobre rosácea ou sobre tratamento homeopático que trate da rosácea, por causa desse post. Então, resolvi escrever um pouquinho mais sobre o assunto.

Eu sempre fui propensa a ficar vermelha: quando ficava com vergonha, quando tomava chá, quando consumia álcool...Se pegasse sol, então, era queimadura certa! Piorou depois dos 18 anos.

Mas foi na gravidez que a coisa desandou mesmo: fiquei com manchas vermelhas, vasinhos aparecendo no rosto, qualquer coisa ficava quente e quase roxa! Achava que era hormonal e só passava um filtro solar, com álcool (pior besteira, porque isso agravou a situação).

A rosácea pode parecer espinha, mas não é: são pequenas inflamações na pele, vasinhos...Sabe-se pouco sobre a rosácea, mas uma das hipóteses mais certas é que uma das partes do problema é da circulação sanguínea na região do rosto.

Quando descobri que tinha rosácea, pesquisei na internet e fiquei bem chateada, pois ninguém sabe como ela aparece, não há medicamento alopático realmente efetivo, não tem cura, enfim... Mas como eu sempre fui de somatizar minhas dores e crises e de tratá-las com terapias alternativas, fiquei feliz de ler relatos de melhoras com homeopatia.

Uma coisa, então, que aviso pra quem chega procurando por medicamentos homeopáticos é que a coisa não funciona bem assim. Não há UM remédio para a rosácea: ela melhora se você estiver sob tratamento homeopático. As formas de trabalho do médico podem variar; a minha médica, por exemplo, não usa medicamento de repetição: quando nos consultamos com ela, ela avalia como estamos, como respondemos ao medicamento de fundo receitado da última vez e com base na avaliação, receita um medicamento - que pode ou não ser o mesmo. Medicação repetida, só em caso de crises.

Bom. Além da homeopatia, eu vou sempre à minha dermatologista. Como eu estava amamentando desde que comecei a ir nela, sempre fizemos uso de tratamentos suaves. Em dois anos e meio, melhorou muuuito, sem necessidade de grandes intervenções :-)

Vou dizer aqui o que venho usando, só porque são produtos chamados de dermocosméticos, comercializados sem prescrição médica.

Para lavar o rosto, é preciso evitar sabonetes. Eu uso o Cleanance, da Avène - dentre os que experimentei, é o que gosto mais, pela textura que deixa na pele e pelo custo/benefício.
Mas o Effaclar Gel, da La Roche Posay, também é uma boa opção, embora eu pessoalmente tenha sentido a diferença desde que ele deixou de ser fabricado na França e passou a ser fabricado aqui.
E uma boa opção é o Acne Care Gel, da Cosmiatrics, que deixa a pele quase tão suave quanto o Cleanance. Eu gosto inclusive mais do que do Effaclar.
Embora o preço desses produtos não seja barato, eles duram bastante. O meu Cleanance, com 200ml dura em média três meses.
Já testei o PurifAC, da Ròc, e achei que ele irrita um pouco a pele, deixando aquela sensação de repuxe. Depois, fui olhar melhor a fórmula e tinha ácido salicílico. Segundo minha dermatologista, pessoas com rosácea poderiam usar somente produtos com ácido glicólico - como nas formulações do Effaclar, por exemplo. Ou seja, embora o produto tenha um preço médio melhor do que os semelhantes, para quem tem rosácea não vale muito a pena...

Voltando aos cuidados, todos os dias, filtro solar, fator 30 no mínimo. Mas tem que ser um cuja textura não facilite o surgimento de espinhas. Eu usei o Anthelios 30 - Fluide Extreme e faz quase um ano que tenho usado o Anthelios AC 40. Ambos são ótimos, fluídos, sem cheiro e são rapidamente absorvidos. Além disso,
não deixam a pele gordurosa.

No inverno, para evitar o ressecamento, tenho alternado o Anthelios com o Hidratante com fator 30 da L'Oreál, (especial pra pele brasileira, sabem? Aquele que a Angélica faz a propaganda) ou o Minesol, Soy, 30, da Ròc. Em relação ao Minesol, ele não dá espinhas, e protege bem, mas confesso que me incomoda de vez em quando o cheirinho de protetor solar - mais suave que Sundow, mas ainda assim...

De noite, uso o Diroseal, da Avène, que é estranho e verde igual o creme da imagem acima :-) Mas é um dos únicos produtos para peles com rosácea que existem. A La Roche Posay tem uma linha para peles sensíveis (Toleriane), mas o Diroseal é o único que tem como efeito melhorar os vasinhos e a circulação do rosto. Quando passo, sinto imediatamente que a pele dá uma refrescada.

Vale prestar atenção em comidas e bebidas que pioram o quadro. Tem épocas, por exemplo, que não posso com frutas cítricas: é consumir e ficar vermelha. Picos hormonais também fazem variar o vermelhão. É preciso evitar banhos muito quentes e ventos muito gelados. Em outras palavras: nada de extremos...

É isso. Não tem milagre, nem solução fácil. Precisa paciência, disciplina e mais paciência. E de vez em quando voltam as crises e dá vontade de se esconder... Dureza...

Finalmente, antes de comprar vale dar uma pesquisada de preços. Lojas dermatológicas costumavam ter o preço mais em conta (pelo menos uns 10% a menos, em relação ao preço das Drogarias). Mas ultimamente, em especial depois que a La Roche Posay passou a fabricar algumas coisas no Brasil e baixou os preços de alguns produtos, sempre olho também nas drogarias porque tem coisas que têm saído mais em conta na farmácia mesmo. De todo jeito, dou uma consultada no site da Dermadoctor.

Na última consulta (julho/2010), a dermatologista me deu duas dicas, que podem servir também para quem mora em São Paulo:
Belle Pharma Delivery - (11) 55815381 e Farma Rende (11) 38798888. Nunca usei o serviço, mas para quem quiser fazer uma consulta mais completa antes de comprar, talvez sirva.


É isso. Espero que ajudem quem chega aqui procurando por informações sobre a rosácea.

Em tempo: os produtos que uso hoje ou estão listados como de baixo risco ou não aparecem na base de dados do Skin Deep.

Em tempo 2: Quem quiser informações mais completas, vejam esse post, do Bulle de Beauté, super claro e elucidativo.

Imagem: http://aryssu.blogs.sapo.pt/4245.html

23 outubro, 2008

Mais coisas boas da vida

Para continuar na língua espanhola...



Cafe Tacvba, "Como te extraño".

Coisas boas da vida


Dica do marido: AutoLiniers, blog de charges divertidas e simpáticas criadas pelo artista argentino Ricardo L. Siri. Ele esteve por aqui (São Paulo) ontem, falando na Fnac Pinheiros.

Ele escreve também no Cosas que te pasan se estás vivo. E tem um site oficial.

Vale a(s) visita(s)!

*Clique na tirinha, para aumentar.

22 outubro, 2008

Tomás

"A cidade toda/ Veio ver o Tomás
Que nascera, que maravilha/ O menino, filho da filha
Que dormia em paz/ Sonhava que juntou
Os tios os pais/ Com todos os demais"
(Baião do Tomás, Luiz Tatit)


A gravidez não planejada abrira chance de trégua naquela guerra que vinham travando todos os dias, em tentativas desajeitadas de chegar a um veredicto sobre se valia ou não a pena de ficarem juntos.

Ainda assim, a tensão crescia no mesmo ritmo da barriga dela. Expectantes, não haviam ainda tomado decisão alguma até aquele dia, em que o trabalho de parto começou.

Na casa que era deles, preparando-se para a chegada do filho tão inesperado, conversaram longa e honestamente – como quando haviam se conhecido. Enfrentando, ao mesmo tempo em que enfrentavam as dores das contrações, a dor maior ainda da possibilidade de separação.

Nove horas depois, quando o filho nasceu e ela pôde enxergá-lo, vendo nele os olhos do marido e o mesmo jeito de dormir (com as mãos sobre os olhos) que tanto a enchia de ternura desde as primeiras noites passadas juntos; e ele pôde enxergá-lo, vendo a boca igual à da mãe e a mesma pinta que ele tanto amava plantada ali no ombro esquerdo, deixaram-se convencer de toda sua história em comum que o filho tão docemente encarnava. E sentiram-se capazes para decidir: nasceram pai e mãe; renasceram marido e mulher.


21 outubro, 2008

Edu (3)

Catavento e Girassol (Aldir Blanc e Guinga)

Meu catavento tem dentro
O que há do lado de fora do teu girassol
Entre o escancaro e o contido
Eu te pedi sustenido
E você riu bemol
Você só pensa no espaço
Eu exigi duração
Eu sou um gato de subúrbio
Você é litorânea

Quando eu respeito os sinais
Vejo você de patins
Vindo na contra-mão
Mas, quando ataco de macho
Você se faz de capacho
E não quer confusão
Nenhum dos dois se entrega
Nós não ouvimos conselho:
Eu sou você que se vai
No sumidouro do espelho

Eu sou do Engenho de Dentro
E você vive no vento do Arpoador
Eu tenho um jeito arredio
E você é expansiva (o inseto e a flor)
Um torce pra Mia Farrow
O outro é Woody Allen...
Quando assovio uma seresta
Você dança, havaiana

Eu vou de tênis e jeans
Encontro você demais: Scarpin, soirée
Quando o pau quebra na esquina
Você ataca de fina
E me ofende em inglês:
É fuck you, bate-bronha
E ninguém mete o bedelho:
Você sou eu que me vou
No sumidouro do espelho

A paz é feita no motel
De alma lavada e passada
Pra descobrir logo depois
Que não serviu pra nada
Nos dias de carnaval
Aumentam os desenganos:
Você vai pra Parati
E eu pro Cacique de Ramos

Meu catavento tem dentro
O vento escancarado do Arpoador
Teu girassol tem de fora
O escondido do Engenho de Dentro da flor
Eu sinto muita saudade
Você é contemporânea
Eu penso em tudo quanto faço
Você é tão espontânea!
Sei que um depende do outro
Só pra ser diferente
Pra se completar
Sei que um se afasta do outro
No sufoco somente pra se aproximar
Cê tem um jeito verde de ser
E eu sou meio vermelho
Mas os dois juntos se vão
No sumidouro do espelho

20 outubro, 2008

Rituais

Destaque para o P.G. roubando marshmallows!


Ontem, depois quase um ano de expectativa (rs...), foi a festa de três anos do Rodrigo. Ele estava num nível de ansiedade tão grande, que a gente precisou fazer um ensaio de "parabéns" no começo da festa! (Aliás, meus agradecimentos à Eliane, querida, que dividiu comigo sua experiência com os aniversários do Cauê - igualmente ansioso - e abriu essa possibilidade. Incrível como de vez em quando tudo o que a gente precisa é alguém que nos pergunte: "por que não?"!).

O bolo teve que ser posto na mesa no começo da festa, porque ele estava inconformado que o bolo estava guardado na geladeira. Talvez ele achasse que só quando o bolo está na mesa é que a festa está valendo :-)

Como os primeiros a chegar foram parentes e amigos nossos, a um certo ponto ele ficou muito chateado: "mamãe, eu quero os meus amigos".

Aliás, fiquei bem impressionada de perceber como ele não tinha se dado conta de que iria ganhar presentes na festa. Ele achou que ele só ganhava presente dos pais e ficou todo desenxabido quando viu a vó e a tia chegando com presentes...Ficou super tímido, meio com medo de abrir os pacotes. Ele estava esperando mesmo eram os amigos chegarem: essa era a razão de tanta expectativa.

E, graças a Deus, eles chegaram. A gente estava super preocupado, porque no dia anterior tinha tido a festa de uma amiguinha da classe dele, e ontem foi aquele dia bonito, né? Chove-não chove, um friiiiio. Achamos que ia dar W.O. Mas os amigos dele foram chegando, todos juntos e encapotados. Aí sim ele ficou feliz, brincou, pulou, correu.

E como em um dado momento o P.C. se vestiu de Homem-Aranha, o Rô abriu o presente que ganhou da avó e do tio: a sua própria fantasia de Homem-Aranha, super cheia de frescuras, que acende a aranha no peito...Gente! A alegria desse menino vestido de homem-aranha foi imensa! Eu fiquei muito emocionada de vê-lo, andando, todo orgulhoso, fazendo poses de herói. Fora que a bateria da roupa quase acabou ontem mesmo.

Na hora do parabéns, ele nem comeu o bolo direito: o único interesse dele eram as estrelas e o R azuis que enfeitavam o bolo! Aliás, essas estrelas foram tema de todas as conversas sobre o aniversário dele: ele passou um ano falando delas! Obrigada, de novo, Tati e Ju.

Os espetinhos de marshmallow foram a sensação das crianças. E dos adultos, também! Aliás, enquanto as crianças foram exemplares em esperar cantar os parabéns antes de pegar os doces, os adultos...E o pior, com a indulgência - pra não dizer incitação - da senhora minha mãe!

Depois que acabou a festa e conseguimos organizar tudo, subimos e então eu peguei o Homem-Aranha no colo. Em dois minutos estava dormindo. E na hora em que fomos colocar o pijama, ele ainda reclamou: "não, não, não gosto de dormir...". Que delícia que é ter dias e momentos que a gente não quer que acabem mais.

Homem-Aranha depois da farra!

19 outubro, 2008

Correria

A semana foi corrida, nos preparativos para a festa do Rodrigo: preparar lembrancinhas, comprar as últimas coisas, fazer e enrolar os docinhos.

Aliás, depois escrevo com calma sobre os docinhos, para dar idéias a quem tem filhos alérgicos ao leite de vaca. O Rodrigo é alérgico, então fazemos todos os docinhos (brigadeiro, beijinho e bicho-de-pé) com leite condensado de soja. É meio chato de dar ponto e ele fica um pouco mais doce, mas pelo menos uma vez no ano o Rô pode ir a uma festa em que não precisa ouvir da mãe: "só pode comer um brigadeiro, tá?".

E o bolo também não tem leite. Preparado pelas queridas Tatiana e Juliana, da Prieto Doces, o bolo é de pão-de-ló, recheado com baba-de-moça e cobertura de marshmallow.

Aliás, também aproveitamos para fazer espetinhos de marshmallow, que o Rô adora. Nos outros anos, fazíamos gelatina, mas como esse ano esta friozinho, decidimos pelos espetinhos. Eu ia fazer maria-mole (TODOS os nossos aniversários - meus e da minha irmã - tinham maria-mole; não daquela com cara de meia velha e suja, mas da de caixinha, cortada em quadradinhos e passada no côco ralado), mas o Rô não se entendeu com o côco e eu desisti...

Bom. Tudo isso pra dizer que não tenho conseguido escrever muito por aqui. Na minha lista semanal de to-dos não faltam assuntos anotados, mas...Sou uma só, né? Mesmo que quando eu diga isso o Rodrigo ralhe comigo, dizendo: "Não! Você é duas!'.

Ai, como eu queria mesmo ser umas duas ou três...

16 outubro, 2008

Não canso nunca



(Chico Buarque, Telma Costa, Tom Jobim; "Eu te amo").

Ultimamente, todo dia acordo com uma música diferente do Chico Buarque no corpo. Tanta boniteza...

15 outubro, 2008

Eu te amo


"Se ao te conhecer/ dei pra sonhar, fiz tantos desvarios/
Rompi com o mundo, queimei meus navios/
me diz pra onde é que ainda posso ir", (Chico Buarque)



Já é só de vezemquando que dói não te ver, não saber como você anda, não ouvir a sua voz. Hoje, o que dói mesmo é a expectativa de te encontrar por acaso, de te ver sem aviso prévio, de me saber incapaz de camuflar a palidez repentina, a gelatina das pernas ou a brandura do amor latente.

Quando fui embora, esperava que não te ver nunca mais fosse suficiente para não me apaixonar a cada reencontro. Não é. Ou pelo menos não foi, até agora: continuo me apaixonando pela sua ausência.

Deveria ter sabido antes que a uma paixão recorrente é possível dar o nome de amor. Deveria ter tido a coragem de me lançar na correnteza ao invés de fincar os pés em terra firme.

Peço perdão por ter saído batendo a porta. E te perdôo por não ter feito nada para reabri-la.

Quando as máquinas param


Aqui em casa, as máquinas costumam cansar quando chega outubro.

Passamos a prestar atenção há três anos, logo depois do Rô nascer. Quando a bolsa estourou, e eu me preparava para ir para a maternidade, percebi que a torneira da pia do banheiro tinha estragado e passara a vazar água tanto quanto eu! Fomos para o hospital deixando o registro fechado...

Trocada a torneira, foi a vez do fogão, que nos deu um baita susto: uma tarde chegamos em casa e o dito cujo estava com a porta do forno aberta. Fantasmas? Pior. Um vazamento contínuo de gás. Tivemos que comprar outro fogão.

No ano passado, mais ou menos nessa época, quebrou o computador (perda total. Ainda bem que existe o André e ele recuperou a maior parte dos arquivos.: minha dissertação de mestrado, inclusive, além de várias fotos da família). E a impressora também quebrou, tudo na mesma semana. Tivemos que substituir ambos, porque o preço do conserto da impressora era o preço de uma igual, nova.

Esse ano já quebrou o ferro de passar roupa (e agora temos um novo, bárbaro e azul!), o chuveiro (lembram que na semana passada contei que acordei e o chuveiro estava quebrado? Não era só a resistência...) e a querida máquina de lavar roupa - ainda estamos esperando as peças chegarem para consertar.

Estou considerando seriamente a possibilidade de comprar um cofrinho e apelidá-lo de "Poupança para outubros".

Sabem o que é pior? É que não são apenas as máquinas que cansam ao final do ano. Uma gripe quis me pegar na última semana e passei vários dias, assim, dividida entre a montanha de coisas a fazer e a vontade de descansar. Fui ficando no meio termo, e parece que a gripe desviou de mim. Pelo menos por enquanto.

Eu entendo essas máquinas: trabalhar sem trégua cansa mesmo. E a gente não é máquina.

Acho que elas só querem nos ensinar a reconhecer a hora de jogar a toalha e parar um pouquinho - descansar, substituir as peças, tomar fôlego, ritualizar o ciclo do ano... Fazer um pouco de nada.

Imagem: http://www.jucelinosousa.com.br/2008/01/