30 novembro, 2008

Brevíssimas


* Rodrigo está doente, desde quinta-feira fazendo febre, febrinha e febrão. Quando com febre, fica chateado, só quer colo. Quando só está febril, dispara a matraca e quase nos deixa tontos de tanto que fala.

* Terça à noite estava conversando com o Edu e falando de marxistas e não-marxistas. Só que estava conversando enquanto ajudava o Rô a escovar os dentes. Aí, o Rodrigo cuspiu a pasta, virou-se pra mim e perguntou:
- eu, mãe?
- não, filho, não é você. Você não é marxista.
- mas mãe, eu sou sim, eu sou "maik-sista".
Só escutei a família inteira gargalhando. E tentei consertar:
- não filho. fala que você é pós-moderno e pós-estruturalista.
Coitado. Não tem jeito dele crescer normal...

* Depois do post sobre o anjo Castiel, de Supernatural, marido veio falar comigo:
- Você gosta de um psicopata (o Dexter), um médico egocêntrico e canalha (o House) e de um anjo torto? Eu acho que você tem problema.
Mesmo sendo obrigada a concordar, vamos combinar que, se eu tenho mesmo algum problema, isso também deve dizer respeito a ele, não é não?

* Mesmo doente, o Rô está falando cada coisa engraçada! Ele continua com a coisa de parar tudo e dizer "agora espera que eu vou te contar uma palavra nova, tá?" e sábado estávamos almoçando quando ele virou pra mim e começou a me contar a história do Kung Fu Panda (como se eu não estivesse lá em todas as 90 vezes em que ele assistiu) e fez igualzinho ao Po, "eu adoro Kung Fuuuuuuuuuuu", com o maior bico do mundo!

* E os presentes que ele quer dar para os professores? No Dia dos Professores, queria dar um cachorro para a A. Aí dissemos, "filho, mas e se ela não gostar de cachorro?". Mais que depressa ele respondeu: "então vamos dar um gato!". Ontem, saímos e aproveitamos para resolver uns presentes. Aí ele queria dar para a A. um colar enooooorme, cheio de penduricalhos. Como eu disse que talvez ela não gostasse, ele sugeriu uma pulseira verde, de plástico. E depois um lenço de seda branco com bolinhas pretas :-)

* Não que ele não tenha bom gosto, né? Agora, de manhã, ele escolhe as próprias roupas, sempre observando: "olha, mãe, eu vou pôr esta blusa, que combina com essa calça, tá?".

* tô devendo um post sobre a blogagem coletiva "Bater em criança é covardia", mas essa semana me livro da dívida, espero.

Imagem: http://www.gettyimages.com.br/

27 novembro, 2008

Sinais

"Ela nunca atravessava a rua se o farol estivesse vermelho. Havendo tempo de sobra para cruzar de um lado para o outro ou mesmo carro nenhum à vista, a moça ainda assim permanecia parada na esquina, esperando pacientemente que as luzes ficassem verdes. Há que respeitar o sinal, ela afirmava sorrindo, sem se importar muito com o sarro que os amigos tiravam, o que frequentemente acontecia. Da mesma forma o preço das coisas. Para ela cem reais eram cem reais e pronto. Não era o que tava escrito na plaquinha?
Ela não furava fila.
Ela não falava alto.
Ela observava os limites de velocidade.
Até que um dia ela se apaixonou por uma pessoa comprometida. E esse – apenas esse – sinal ela não conseguiu respeitar", (Flávia Stefani).

Daqui, ó. Tão simples e tão bonito.
É impressionante como, mesmo em novembro-quase dezembro, irrompem uns agostos por dentro, fazendo coração e respiração pesarem e até a alegria doer.

O jeito é ficar em silêncio.

Ou ouvir Zeca Baleiro, cantando "Skap", só pra lembrar que há a possibilidade de parecer menos só:

"quando você diz o que ninguém diz
quando você quer o que ninguém quis
quando você ousa lousa pra que eu possa ser giz
quando você arde alardeia sua teia cheia de ardis
quando você faz a minha carne triste quase feliz

você me faz parecer menos só menos sozinho
você me faz parecer menos pó menos pozinho".

26 novembro, 2008

Recuperação da adolescência*



Sabe quando a gente é adolescente e fica encantada com algum ator-cantor-jogador de vôlei? Eu agora estou adorando o anjo Castiel, interpretado pelo ator Misha Collins, em Supernatural. Não é bem aquela coisa de ficar colecionando Caprichos e afins que tiverem o ser na seção Gato do mês (isso ainda existe?). Tô curtindo mesmo é o personagem, todo em crise, no estilo "Asas do Desejo" pop.

Aliás, essa temporada está tão boa. Um episódio melhor do que o outro, incluindo os de "monstros da semana". Até o Sam, de quem eu confesso que tinha certa birra porque nunca me livrei do Dean que ele fazia no Gilmore Girls, está revelando que é bem mais que bom moço.

E o Dean - que eu já curtia desde que o ator fazia...como chamava? Aquela série dos humanos com códigos de barra no pescoço? Dark Angel! (Santo IMDb...). Mas ele já era engraçado. E além de engraçado, nessa temporada que (spoiler!) ele voltou do inferno, ele está muito interessante.

Se eles ainda derem um jeito de fazer um episódio em que o pai deles apareça, esta vai ser a melhor temporada de todas!

E já que estamos falando de recuperação da adolescência e anjos decaídos, um pouco de U2, hit de bailinhos e trilha de "Far away, so close": Stay.

* Título de um poema da Ana Cristina César, lindo por sinal: "é sempre mais difícil/ ancorar um navio no espaço".

Imagem: http://flickr.com/photos/38117284@N00/2887197999/

25 novembro, 2008

De baibais e acidentes

Para a minha "internação", além de computador, livros e textos, levei também um pouquinho de literatura, pros momentos em que os dedos no teclado arranhassem os limites das figuras à minha disposição.

Levei Rilke Shake, da Angélica Freitas (que resolvi comprar porque vi lá no Quase Resenhas e gostei do que li) e eXato acidente do Tony Monti.

O tempo continua me atropelando, mas mesmo assim, queria dividir com vocês esse poema:

o que é um baibai?

baibai es un adiós.
un farewell sin pañuelos.
tem gente que escreve haikai,
três linhas a bashô.
baibais também seguem modelos.

quem escreve baibais sabe que acabou
-se o que era doce.

(Angélica Freitas)

Sobre o livro do Tony, preciso de tempo para acabar de digerir. Há muito tempo, tinha comentado com a Nara que o que eu gostava na literatura do Tony era que, à diferença dos escritores mais novos que eu já lera, era uma literatura sem a fúria destruidora que eu sentia em vários escritores. eXato acidente confirma e desafia essa idéia: ler o livro foi passear no zoológico, de mãos dadas com a personagem do conto "O Bufálo" (da Clarice Lispector) .

E mais não digo porque preciso de mais tempo. Não para escrever: para ser capaz de dizer mesmo.

24 novembro, 2008

Eu tô voltando

Queridos e queridas: fiz um retiro pra terminar um capítulo da tese e só desinternei ontem à noite. E hoje tinha encontro com orientadora e duas mesas de simpósio - num deles, inclusive, apresentava trabalho. Por isso o sumiço.

Mas agora, tô voltando.

19 novembro, 2008

Bagunças


Hoje de manhã, na hora de ir à escola, Rodrigo me pediu para ir de camisa. Ele adora camisas. Em toda festa ele pede para colocar - ele tem uma toda estampada, com desenhos de leão, elefante, passarinho, e ele adora!

Combinei com ele então que ele poderia ir de camisa, se colocasse a camiseta do uniforme por baixo e se tirasse caso houvesse atividade no ateliê.

Aí, fomos levá-lo à escola e dei a mesma dica pras meninas do apoio. A M. ainda me disse que aquele não era dia de ateliê de manhã, mas que ela avisaria a prof. do Rô à tarde (hoje é dia em que ele fica o dia todo).

No fim da tarde, fomos buscar o Rô na escola. E conversamos um pouco com a professora dele, combinando reunião etc. e tal, quando ela se lembrou de um recado importante: - "Você não sabe o que aconteceu!". Como o Rô anda aprontando, deu até medo...

Bom. Dá-se o caso que, de manhã, estava o G2 na quadra e, de repente, Rodrigo sumiu, levando junto o M. Aí eles começaram a procurar os meninos. Procura, procura, onde estavam os meninos? No Ateliê. Fazendo o quê? Cobertos de tinta! E o Rodrigo estava de camisa, óbvio.

O pior é que a A. (prof. do Rô), soube dessa história porque, quando chegou na escola, estavam as duas meninas do apoio, superpreocupadas, esfregando a camisa dele, para tirar as manchas! Fiquei tão chateada...Porque eu só comentei com elas esse combinado com o Rô: não é que eu não queria de jeito nenhum que a camisa sujasse, né? Afinal, deixei ele ir pra escola com ela - a sujeira estava no pacote. Eu só estava tentando ensina-lo a cuidar um pouco mais das coisas dele. Não ia imaginar que a minha ressalva ia dar motivo pro menino (1) fugir do professor; (2) arrumar um cúmplice; (3) invadir o ateliê e (4) tomar banho de tinta, só pra ver a minha cara...

O mais difícil foi ficar séria para mostrar pro Rodrigo que o que ele fez foi errado. Porque a verdade é que foi tanta arte, que foi até engraçado.. Só de imagina-lo coberto de tinta...Ai, como eu queria ter uma foto! Mas aí, maridón me mandou ficar séria e eu fiquei. Pelo menos pra dizer que não podia fugir do prof. ou entrar no ateliê sem que o grupo dele estivesse em atividade. Ai, ai.

Como diz o Edu. Com o Rô, só usando o reverso da psicologia reversa, revertida! O cara consegue dar nó na gente!

* A foto é de dezembro de 2007, no dia 15, mais precisamente - aniversário do Edu. O Rodrigo estava num baita mau-humor, e aí resolvi brincar com ele de pintar a cara. Ele ficou tão, mas tão feliz. E num momento de distração, enquanto eu preparava as coisas para coloca-lo no banho, ele se jogou no box, de pijama e tudo, e ficou gargalhando sozinho de patinar de barriga na água :-) Coisa boa da vida!

17 novembro, 2008

Irritação

Alguém me explica por que o corretor do Word quer que eu use crase antes de verbo no infinitivo?

Ou porque ele me manda escrever frase com apenas 50 palavras, reclamando toda vez que passa disso, mesmo que sejam apenas 51 palavras?

Haja!

16 novembro, 2008

Maternidade como experiência - II

Queridos, acabei transferindo a discussão lá pro Margens, no post de hoje.

Nó na cabeça

Rodrigo acordou às 6h hoje. Na verdade, às 5h52. Aí foi pra sala, ficar largado um pouquinho, esperando começar o Pocoyo...

Umas 6h30, acho que o Edu tinha saído da sala e, quando voltou, o Rô tinha desligado a TV. E o trato com ele é que ele não mexe nos eletrodomésticos. Então, ouvi o seguinte diálogo:

- Rô, porque você desligou a TV?
- Porque eu não queria mais assistir. Mas agora eu quero.
- Então liga de novo.
- Mas pai, eu não posso. Eu sou pequeno.
- ...
- Criança não pode ligar a TV.


***

E eu ia preparar um post só com os livros preferidos do Rodrigo, mas acho que ainda não vai ser hoje.

Essa semana, da Biblioteca Circulante da escola, ele trouxe um ótimo - da Rosane Pamplona, com ilustrações da Ionit Zilberman: "João Boboca ou João Sabido?". É impressionante como poesia e rimas fazem muito sentido para crianças pequenas. "A Galinha Xadrez" também é rimada, e ele acaba decorando tudo. Do "111 Poemas para Crianças", por exemplo, ele recita direitinho o poema "Minha Cama", e isso desde que tinha uns 2 anos! (Coruja, eu? Vendo o ser pequenininho recitando poesia? Impressão sua).

Minha Cama (Sérgio Caparelli)

Um hipopótamo na banheira
Molha sempre a casa inteira.

A água cai e se espalha
Molha o chão e a toalha.

E o hipopótamo: "Eu não ligo,
Estou lavando o umbigo!"

E lava e nunca sossega:
esfrega, esfrega e esfrega

A orelha, o peito, o nariz
As costas da mão e diz:

Agora vou dormir na lama,
porque é lá a minha cama.

E você? Lembra de cor alguma poesia que aprendeu quando criança?

Eu lembro do Fernando Pessoa ("O poeta é um fingidor"...) e da Cecilia Meireles ("Tenho fases como a lua...").

E lembro também do frisson que foi quando minha irmã, um dia, chegou da escola recitando o poema da "norte": Da "norte", ninguém escapa/ nem o bispo, nem o papa/ nem o rei/ mas eu, nem que seja pra gastar/ até meu último vintém/ compro uma panela/ entro dentro dela/ tapo bem./ e a "norte" fala assim/ hum, hum, aqui não há ninguém! :-)