30 junho, 2008

Rodriguices


Rodrigo doente no meu colo enquanto eu tento (e "tento" seria a palavra fundamental aqui) trabalhar. E eu trabalhando e ouvindo Audioslave - no youtube, por favor, que o dia não tá fácil e dar uma olhadinha no Chris Cornell nunca é demais:
- Mãe, não pode ver o Cris Comél!

E tendo um telefone tão perto do computador, agora o monstrinho aprendeu a discar vários números, só para ouvir a voz na telefonista dizendo que "este número não existe" e que é melhor consultar uma lista telefônica...

Eu mereço!

Cantem comigo: "To be yourself is all that you can do..."

Imagem: http://www.chriscornell.com/

29 junho, 2008

Nhaca

Só hoje que acordei um pouco melhor, depois de um ataque de tosse ontem que beirou o ridículo de tanto que durou.

E Rodrigo ainda está mal...Fazendo febre alta e baqueadíssimo.

De maneira que ainda não é hoje que vou conseguir escrever direito. Porque além de tudo, tem um relatório que precisa(va) ser entregue amanhã e eu não consegui ficar mais do que dez minutos na frente do computador.


26 junho, 2008

Cais

Para ampliar o silêncio, na voz da Nana Caymmi:

Para quem quer se soltar invento o cais
Invento mais que a solidão me dá
Invento lua nova a clarear
Invento o amor e sei a dor de me lançar

Eu queria ser feliz
Invento o mar
Invento em mim o sonhador

Para quem quer me seguir eu quero mais
Tenho o caminho do que sempre quis
E um saveiro pronto pra partir
Invento o cais
E sei a vez de me lançar

(Milton Nascimento)

Um minuto de silêncio

E na mesma semana, perdemos Maria D'Alva Kinzo e Ruth Cardoso.

Notícias do Front


Sábado, Rô e eu fomos para Curitiba, encontrar uma parte da família que fazia tempo que eu não via. Aproveitamos também para passear de trem: a viagem vale muito a pena, e a gente deu sorte de estar um dia lindo e ensolarado.

O problema é que lá estava frio. Muito frio. Mas muito mesmo: no domingo, chegamos à estação de trem às 8h da manhã e estava 2º. E durante a viagem foi impossível convencer o Rodrigo a fechar a janela, né? Porque ele estava achando o máximo gelar as mãozinhas...Fora que ele aprendeu a fazer sinal de "jóia" e ficava fazendo jóia para a paisagem :-)

O resultado de tudo é que eu e o Rô voltamos com uma baita gripe e ainda estamos nos recuperando. Por isso a ausência de notícias (também por culpa do provedor de internet, que faz uma semana que está instável).

Prometo que daqui a pouco ponho tudo em dia: posts, mensagens e tudo o mais.

17 junho, 2008

Jogo do eu-já (infantil)

A Kathy começou, lá nas Mamíferas, e eu gostei da brincadeira, então vamos lá:

Na gestação, eu já...
Quis tanto que fosse um menino, que comecei a tentar me acostumar à idéia de que seria menina só para sofrer menos.

Quando descobri que era mesmo um menino, fiquei tão chocada que só consegui comemorar um dia depois.

Passei tão mal dos primeiros quatro meses que achei que nunca mais ia querer engravidar. Uma semana depois que os enjôos pararam, nem lembrei que eles tinham existido.

Me fiz de "sonsa" para não perceber que minha médica era cesarista.

Assisti todas as cinco temporadas de Sex and the City enquanto estava de repouso.

Sobre o parto, eu já...
Fiquei desconfortável por não ter sido exatamente como eu queria, embora não soubesse muito bem dizer o que tinha faltado ou sobrado. Mesmo tendo sido normal, numa LDR (Labor Delivery Room, ao invés do centro cirúrgico) e o Rodrigo tendo mamado logo em seguida.

Fiquei muito triste com o meu parto depois de descobrir que podia ter sido tudo diferente.

Me doí inteira por pensar nas rotinas a que o Ro foi submetido e no tempo em que ele, recém saído da barriga, ficou sozinho no berçário.

Aprendi que não dá para se fazer de "sonsa" e confiar só no próprio corpo enquanto as coisas forem do jeito que são, hoje em dia, nesse país.

Amamentando, eu já...
Fiquei tão cansada que quis largar tudo, mas pude contar com um grupo muito bacana de apoio e consegui achar energia para continuar mais um pouquinho.

Fui alvo de olhares tortos e espantados de mães, ao verem aquele menino grande, andante e falante de repente vindo dar uma mamadinha básica :-)

Achei que eram necessárias blusas e sutiãs especiais e pouco femininos, mas descobri que o que importa mesmo são os peitos e eu não precisava deixar de me cuidar para continuar amamentando.

Trocando fraldas, eu já...
Tomei banho de xixi.

Cantei muitas e muitas canções para alegrar o pequerrucho incomodado.

Fiz tudo correndo com medo do neném cair do trocador.

Sobre as delícias de ser mãe, eu já...
Acordei com um bebê de seis meses sentado na cama e cantando.

Acordei com um "bom-dia, mamãe!".

Ganhei abraços e beijos inesperados e ouvi "eu te amo, também!".

Levei bronca ao pedir para o Rô tirar a mão da minha cara porque, afinal, "eu tô fazendo carinho!".

16 junho, 2008

Dor e delícia

Desde quarta-feira que eu estava meio estranha: uns sobressaltos por dentro, uma mistura de impulsos bandeirantes de sair por aí, desbravando caminhos, e absoluto desespero ao me dar conta dos meus limites diante do tamanho da empreitada.

Minha experiência do mestrado foi absolutamente diferente da deste doutorado: desde o início eu tinha uma questão clara, que me mobilizava, me dava vontade de pensar e pesquisar; eu tinha a bolsa FAPESP, que me obrigava a cumprir prazos e a efetivamente trabalhar; eu não tinha filho; eu participava de vários grupos e seminários de discussão...Em outras palavras, eu vivia o clima da pesquisa intensamente e o processo todo foi muito prazeroso, assim como o resultado.

Este doutorado já começou um tantinho diferente, já que mal tive tempo entre a defesa do mestrado e a entrega do projeto (na verdade, fiz as duas coisas no mesmo dia). Não tive distância, nem muito menos novas referências sobre as quais apoiar as questões que eu começava a pensar.

Engravidei do Rô já no primeiro semestre do doutorado e assim, a atenção e a energia que deveriam ser postas na pesquisa, se deslocaram para a preparação dessa pessoinha tão querida que tinha me escolhido para ser mãe dela. Primeiro trimestre: fiquei quase inútil por causa dos enjôos. E o terceiro trimestre eu fiquei quase inútil por causa de um repouso mal indicado e a pressa do Rô, que adiantou 3 semanas. Depois do nascimento do Rô, quatro meses de simbiose total, em que qualquer coisa além de cuidar dele era impensável.

Depois, teve o trabalho lá em Osasco, que eu adoro, mas que dividia as minhas energias com os cuidados com o Rô. Naquela época, ele ficava 4 horas no berçário e era esse o único tempo que eu tinha para trabalhar. Eu não queria deixá-lo mais tempo lá, mas também não conseguia trabalhar em casa. E assim o tempo foi passando, meu prazo correndo, eu ia fazendo a pesquisa, mas como se fosse suficiente "seguir adiante", sem voltar aquele passo para a construção de um bom problema de pesquisa.

Desde o início do ano passado que eu estava escrevendo esse texto de qualificação. É, esse mesmo que eu entreguei há três semanas. Mais de um ano para escrevê-lo e mesmo assim só escrevi porque precisava entregar, pois sabia desde o começo que não estava bom.

No ano passado, em agosto, apresentei uma parte do texto que estava escrevendo em um seminário e aí ficou muito claro o erro da estratégia de seguir caminhando adiante: nada é interessante por si só, né? O que dá interesse pras coisas são as questões com as quais a gente constrói tensões, problemas...É o recorte, a entrada...Eu estava lá, com uma montanha de coisas que não me diziam nem me provocavam nada. Porque, naquela altura, eu não tinha mais nada a ver com aquilo, mesmo.

Mas e como é que a gente reconhece essas coisas? Onde a gente arruma coragem pra abandonar um doutorado, mesmo que a pesquisa não seja exatamente o que a gente quer? Como é que eu ia arrumar coragem para admitir que, à diferença da minha mãe, e de tanta gente eu não dava conta de filho, casamento, doutorado, trabalho?

Não que no meu dia-a-dia eu não admitisse: afinal, eu continuava lá, no melhor estilo equilibrista, passando mal para não abandonar o Rô, resolver o casamento, não desapontar muito o trabalho...E o doutorado, a coisa que era mais minha e que dependia única e exclusivamente de mim lá - abandonado.

Mas depois desse seminário do ano passado, eu resolvi que ia cuidar do meu doutorado, sim. Ainda tentei equilibrar um pouco as coisas, mas o resultado foi - um pé torcido, gripes e dores de garganta, costas travadas duas vezes, casamento de perna pro ar...É. Não dá mesmo. Quatro meses que pareceram um imenso e interminável agosto, por dentro e por fora.

Então, depois de muitas conversas e tentativas de pensar o que era possível fazer, percebi que seria preciso parar de trabalhar até a entrega da tese, assumindo todas as consequências (principalmente econômicas) desta decisão. E assim estamos.

Nesses seis meses, as coisas caminharam. Obviamente não a ponto de superar os três anos de abandono, mas andaram sim. Eu tenho uma questão mais clara. Não tenho ainda a melhor estratégia, mas a questão tá clara, tá no corpo. É uma questão que me dá vontade de pesquisar, de pensar...Me mobiliza.

Estou contando toda essa longa história porque na semana passada foi minha qualificação, né? E foi muito duro, de vários pontos de vista. Mas ao mesmo tempo foi muito bom.

Se fosse no ano passado, essa qualificação teria me desorganizado inteiramente; teria me feito abandonar tudo e chorar minhas mágoas por um longo tempo. Mas agora, que pelo menos encontrei uma direção, foi ótimo ter referências, ouvir coisas que me fizeram por em perspectiva o que venho tentado pensar - apontando: isso não é novo, isso é bacana, isso não está nenhum pouco claro...É muito bom quando aquela indefinida sensação de que algo não está encaixando ganha nome, corpo e forma!

Lógico que é difícil ouvir que as coisas não estão claras e maduras como poderiam. Mas ao mesmo tempo é tão bom poder compartilhar a preocupação sobre o que vai dar ou não para fazer, poder dimensionar melhor a encrenca...

Não sei. Pode ser meio masoquista da minha parte, mas putz! fiquei tão aliviada de saber que minha insatisfação não era devida a nenhuma absurda exigência de excelência de mim em relação a mim mesma e sim porque tem trabalho a ser feito...

Durante a pesquisa do mestrado, eu praticamente só ouvi elogios. Ouvi ponderações, levei uns puxões de orelha, claro. Mas ouvi principalmente elogios. Me senti tão perdida! A ponto de sempre sublinhar as falhas e lacunas da dissertação porque, afinal, alguém tinha que apontá-las, já que elas sem dúvida existem. E eu lá, com aquele peso enorme de identificá-las para poder fazer diferente da próxima vez.

Para mim, muito mais importante é essa generosidade de ajudar o outro a reconhecer o que é bom, o que pode ser melhor e o que é ruim; o que é suficiente e o que não é; o que está claro e o que não está. Sem referências, a gente passa mais tempo correndo atrás do próprio rabo do que chegando em algum lugar.

E eu agora realmente tenho um lugar aonde quero chegar.

13 junho, 2008

Roda da Fortuna

Vi lá no blog da Kathy e resolvi fazer também:


You are The Wheel of Fortune


Good fortune and happiness but sometimes a species of
intoxication with success


The Wheel of Fortune is all about big things, luck, change, fortune. Almost always good fortune. You are lucky in all things that you do and happy with the things that come to you. Be careful that success does not go to your head however. Sometimes luck can change.


What Tarot Card are You?
Take the Test to Find Out.



Para mim, que adorava crer na minha capacidade de ser disciplinada e tenaz para alcançar meus objetivos, achei bem interessante que eu "seja" uma carta sobre o imprevisível da vida.

E se eu não tivesse tanta coisa para fazer, iria reler Maquiavel, que se bem me lembro ponderava que o sucesso de um Príncipe se deve tanto à Virtude quanto à Fortuna.

10 junho, 2008

Você precisa é de um homem pra chamar Dirceu

Edu hoje de manhã me mandou um link bárbaro, de um blog especializado em coletar Virunduns. Sabe, quando a gente entende a letra da música errado e jura por Deus que está ouvindo certo? Então. E eles também têm uma comunidade no orkut.

Como estou tentando esquecer que minha banca de qualificação é amanhã, resolvi entrar um bocadinho na comunidade. Gente! Tem cada coisa ótima.

Como o virundum da música do Erasmo Carlos que dá título ao post: Você precisa é de um homem pra chamar de seu; mesmo que esse homem seja eu! Agora diz se um "homem pra chamar Dirceu" não é tudo de bom nessa vida!

Tem outra que também é ótima: na música do Belchior, "Como nossos pais", há quem cante "pois é você, que é mal passado e que não vê!", em vez de "e você que ama o passado, e que não vê". A-do-rei!

Aí lembrei da Lívia, que ao invés de cantar "Mariana, parte minha", cantava "Mariana Fatiminha, Mariana minha flor...". E do amiguinho de escola do Rodrigo que canta "A linda rosa de vinil, de vinil, de vinil...".

Na comunidade, tem uma seção também de músicas em inglês que parecem português. A mais clássica para mim é a do "Chame o bombeiro" (I should have known better).

A minha avó, ao invés de cantar "De blue jeans, de blue jeans, tênis velho no pé e boné", cantava "de budiguim, de budiguim...". Eu achava o máximo!

Lembrei também de uma chefe escoteira que ao invés de cantar "Help, I need somebody', cantava "help, ai ne scubaco". Depois que a ouvi, nunca mais consegui cantar a música direito.

Não lembrei de nenhuma música que eu trocasse as coisas, pelo menos não além da também clássica "trocando de biquíni sem parar" (tocando B.B. King sem parar). Mas vou tentar lembrar.

Essas trocas são muito divertidas. E meio mudando de alhos para bugalhos, me lembrei que na época em que morávamos na república lá na Casa do Ator, a gente começou a anotar todas as bobagens que a gente dizia, sem querer, no melhor estilo Magda (do Sai de Baixo).

A Marcinha, avisando que ia pegar um "retalho" pra chegar mais rápido. Ou que os ignorantes estão "fardados" ao fracasso. Da Carol, no meio da chuva, dando graças a Deus que o guarda-chuvas tinha pára-choques (querendo dizer pára-raios) e nos dizendo que "o dilema" do Maluf é rouba, mas faz. Da Ju, preocupada que a mãe ia fazer um exame para excluir a hipótese de "megaloma". Lembrei da Mari, que chegou em casa reclamando que uns crentes tinham parado ela na rua e tentado "revertê-la' pra religião deles. Lembrei também da minha irmã, que na gravidez estava passando um creme especial com "colesterol" (colágeno) para evitar as estrias.

Lembrei também de mim mesma, que na gravidez falei tanta besteira que deveria ter anotado, e que ainda não sarei totalmente. Outro dia, Edu me perguntou que horas eram e eu respondi "quinze pras cinco" e desatei a rir, creeeente que estava dizendo "quinze pra daqui a pouco". E comentei "dos males, o pior", achando que estava dizendo "dos males, o menor".

Bom. Se era para desestressar, funcionou. E você, qual o seu virundum mais memorável?

09 junho, 2008

Um sonho de liberdade


Como o apartamento é pequeno, o único bicho de estimação que a gente consegue ter é um gerbil. Um não, dois: a Thelma e a Louise. Antes, tínhamos a Sofia, que me fez companhia durante todo o mestrado e acabou ficando bem velhinha e doente, logo depois que o Rodrigo nasceu.

O Edu tinha comentado comigo ontem que a Thelma andava tentando levantar a porta da gaiola para fugir. A Thelma é mesmo fogo: ela pula lá de cima da gaiola todas as vezes em que estamos trocando comida! A bichinha é esperta...

Bom. Eis que estou na sala, almoçando. Escuto um barulhinho, não vejo nada e esqueço. Dali a pouco, escuto mais um barulhinho; acho esquisito, mas deixo pra lá. E então vejo a Louise no meio da sala. Quando a vejo, ela percebe que foi descoberta e zummm! Foge pro quarto das crianças.

Tudo bem. Fecho a porta do quarto para pegá-la quando acabar de almoçar. Quando de repente vejo a Thelma. Pois é: fugiram as duas. Vou na gaiola e vejo que elas devem ter tramado tudo: mesmo com a travinha de arame que Edu improvisou, as danadas deram um jeito de escapar.

Bom. Pego a Thelma e devolvo na gaiola. Acabo de almoçar e vou pegar Louise. Quando chego na gaiola para devolver a Louise, cadê Thelma? Escapou de novo.

E ainda não consegui pegá-la...Tô aqui, do computador, vigiando a Louise na gaiola e escutando a Thelma atrás da máquina de lavar, mas pegar que é bom! O que ela não tem de esperta, tem de agilidade.

Perái. Acabei de vê-la. Já volto.

...

Me deu baile e foi para trás da geladeira. Coloquei uma armadilha de uvas passas na direção da gaiola: vamos ver se ela aparece.

(Uma hora depois)

Ela não resistiu e veio passear no escritório. Fechei a porta e peguei a bichinha. Agora estão as duas lá na gaiola, cansadas e dormindo. Ô aventura!

Imagem: http://www.gerbilcare.org/gerbilhealth.php